Com medo da verdade

Enquanto estamos concentrados nesta parábola entre o Sporting e os árbitros, desvia-se a atenção de

O que se passa hoje no nosso futebol e no sector da arbitragem é o resultado de anos de anarquia absoluta, onde se procurou sempre viciar o jogo e nunca procurar conquistar por mérito desportivo.

Já se leu e se ouviu de tudo neste meio, desde negócios diretos com os árbitros, a jogos com resultados combinados, a favores pagos com vários tipos de valores, incluindo o serviço de mulheres, a jogadores pagos para falharem ou um valor acrescentado para dar o máximo, se necessário até a relva deveriam comer, verificado domingo, após domingo e agora neste mundo do quadradinho, fim-de-semana, após fim-de-semana.

Todo mundo assiste, todo mundo fala, por entre corredores deste antro, viram a cara para o lado, fazem de conta que nada sabem, todos parecem que estão comprometidos com este poder oculto. Há restaurantes já marcados, há lugares próprios, há códigos de diálogo, há encontros marcados descaradamente, é o constante, e citando, Octávio Machado, "vocês sabem do que estou a falar", do "eu sei e assisti", "estive lá", "eu até sei quais são os restaurantes", "eu sei que você sabe o que eu sei", se vai passado descaradamente, à vista e aos ouvidos de todos.

Não só nada acontece, como as investigações, algo de muito misterioso, vão sempre parar a um saco roto, como por magia tudo desaparece, não se fala mais no assunto, tudo se perde. Justiça, jornalistas, comentadores, dirigentes, árbitros, parece que estão todos no mesmo meio, parece que se relacionam numa simbiose perfeita neste antro promíscuo, descarado com duas frentes de poder, os vermelhos e os azuis.

A cena de João Ferreira não tem lógica, não faz qualquer sentido dentro de padrões simples naturais. Um árbitro não vai recusar arbitrar um jogo, só porque um jornal mandou uma dica, que “alguém” estranhava a nomeação, “alguém” estava muito surpreendido com a nomeação, não tem qualquer cabimento dentro dos padrões da normalidade. Há algo mais por detrás desta fantochada.

E podemos começar por expor aqui várias questões que poderão dar algum sentido a este aparato de uma novela franciscana de segunda categoria. Enquanto estamos concentrados nesta parábola, Sporting e alguns, nota-se quem são, árbitros, se desvia a atenção dos outros jogos deste início de campeonato. O Porto e o Benfica nestes dois primeiros jogos foram descaradamente empurrados para as vitórias pelos amigos de preto e nos outros jogos da primeira categoria foi um festival de erros tendenciosos com objectivo claro de prejudicar uns e beneficiar outros.

Outra das questões a analisar é o rol de declarações, feitas num passado muito recente, muitas, antes dos jogos, referente a árbitros, que só faltou o insulto directo. Nesta altura não houve nenhum boicote ou algo similar, nem tão pouco a APAF apareceu para dar mais um festival de protagonismo com frases descabidas, idiotas, nitidamente a desviar as atenções.

Enquanto a justiça, os jornalistas e todos ligados ao mundo do futebol continuarem a olhar para o lado fazendo de conta que nada se está a passar, colaborando nesta nojeira, vamos tendo o futebol viciado, falso ao jeito de meia dúzia de crápulas que gozam a belo prazer e de todas as formas, com os amantes deste desporto-rei.

Para alguns sportinguistas, a culpa está nas direcções deste clube, que nunca conseguiu entrar nesse meio obscuro e mafioso, conquistando também parcela deste poder e como não estamos lá, é exactamente o clube que serve para desviar as atenções e serve para dar imagem de credibilidade, tipo bengala, para estas cenas, e serve, claro, para retirar este clube das vitórias. Não podemos também nós ir por esse campo, entrar neste reino das trevas futebolísticas, estaríamos a contribuir e a  tornar este jogo ainda mais nojento, completamente falso.

Depois aparecem alguns jornalistas e comentadores iluminados a contribuírem literalmente para este sistema, com comentários e análises, do "a jogar desta forma, querem ganhar", pois é, mas os outros a jogar pior. O Benfica x Gil Vicente mais parecia um jogo da segunda divisão, no entanto se não fosse o camarada de preto, estariam hoje em pior situação pontual que o Sporting, mas como empatou e depois ganhou, com mais umas ajudas, já não se interpela o tipo de futebol deste clube, e o cenário repete-se com o Porto. Pois! Enquanto houver estes capatazes do sistema, isto nunca vai mudar.

Notícias: 1ª Liga