Polémica, sofrimento e liderança reforçada

Afinal de contas, a noite que se previa tranquila no Dragão teve sofrimento e polémica. No final, a vitória sorriu aos azuis-e-brancos, novamente a oito pontos do segundo classificado. Mas numa noite em que o cansaço se fez sentir, o líder não ganhou para o susto.

O dia esteve cinzento e a partida esteve à altura. Num jogo de pouco interesse, tudo se resumiu à eficácia na marcação de duas grandes penalidades, uma para cada lado. Mas vamos por partes.

O V. Setúbal ofereceu a primeira parte ao FC Porto que, diga-se, nem por isso a aproveitou. Sempre em ritmo baixo, que a vitória de Viena deixou mazelas, os portistas tiveram oportunidades para marcar logo nos primeiros minutos. Primeiro Rodríguez, para fora. Depois Fucile, que jogou à direita, Falcao e Guarín. Valeu Diego, guarda-redes dos sadinos e figura da primeira parte. Foi o melhor que se viu dos líderes do campeonato.

Por falta de inspiração ou mera acomodação a um jogo que parecia fácil, os portistas pouco perigo criavam, apesar de a equipa setubalense ter abdicado de atacar. Manuel Fernandes prometeu não levar o “autocarro”, mas o Setúbal não fez um único remate na primeira parte.

Lá em cima, na bancada, de “walkie-talkie” em punho e quase sempre de pé, André Villas-Boas - quiçá o grande ausente - passava as informações aos adjuntos Pedro Emanuel e Vítor Pereira, que assumiu o lugar de técnico principal.

As Figuras

Elmano Santos: Parte I

O tempo foi passando. Aos 40’, um livre de Belluschi à trave ameaça mudar o jogo. Até que, dois minutos mais tarde, entra em campo a grande figura do jogo: Elmano Santos. No meio-campo, Fucile faz um corte sobre Bruno Gallo, que fica no chão, caído. A equipa do Sado protesta, mas os portistas continuam. O uruguaio, da direita, cruza para Falcao que, embrulhado com Collin, cai. Penalty. Elmano Santos está bem colocado, melhor do que as câmaras. Mas a queda do avançado do FC Porto parece forçada e o lance é, no mínimo, duvidoso.

Quem não teve dúvidas foi Hulk, que assim fez o 12º golo no campeonato e levou a equipa em vantagem para o intervalo.

V. Setúbal vai a jogo

Sem nada a perder e com zero remates na conta pessoal, a equipa visitante resolveu entrar no jogo, lançando um perigoso Zeca - dois lances para golo - e fazendo acordar Pitbull.

Manuel Fernandes tinha dito que, para levar pontos do Dragão, era preciso que o FC Porto estivesse “desinspirado”. E estava, mas não chegou. O Setúbal atacava agora mais e conseguia criar perigo. Ao FC Porto, faltava sempre a recepção ou o último passe.

Elmano Santos: Parte II

O jogo caminhava para o final e o FC Porto goleava nas estatísticas: o dobro dos ataques e dos remates, mais cantos, mais posse de bola. Mas era o Setúbal quem exercia o domínio territorial e o líder da Liga assumiu a necessidade de defender. Ao ponto de trocar Emídio Rafael por um mais consistente Sapunaru e desviar Fucile para a esquerda. É deste lado que o uruguaio se torna uma das figuras do jogo.

Minuto 88’: o lateral, já amarelado, agarra Henrique à entrada da área e dentro dela. Ao cair do pano, penalty para o Vitória e pânico no Dragão! Elmano Santos saca do cartão amarelo, que seria o segundo, e mostra-o a… Otamendi, mero figurante no lance. Jaílson marca, mas antes do apito do árbitro, que manda repetir. Com os nervos à flor da pele, o avançado esquece-se das distâncias e exagera na força.

Bola na bancada, adeptos em êxtase e três pontos no bolso. Mas desta vez, o líder bem pode agradecer à sorte.

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