Académica-FC Porto: nau portista à deriva em Coimbra (crónica)

Um FC Porto cada vez mais irreconhecível foi cilindrado pela Académica (3-0). Vítor Pereira levou um

Pedro Emanuel. É este o nome de quem se fala cada vez mais no Porto. Foi a estratégia montada por Pedro Emanuel, homem da casa, que destruiu este sábado a equipa do FC Porto em Coimbra. Foi Pedro Emanuel quem pôs a nu, se preciso ainda fosse, a incapacidade de Vítor Pereira em conseguir fazer passar a sua mensagem aos jogadores azuis-e-brancos, órfãos da liderança carismática de André Villas-Boas. E é Pedro Emanuel o homem que os adeptos querem ver sentado no banco dos campeões nacionais – é nele que reside a esperança da nação portista em regressar rapidamente às noites de glória.

Esta noite, assistiu-se em Coimbra ao triunfo da inteligência tática sobre a falta de ideias. De um lado, onze jogadores vestidos de preto que souberam sempre o que deviam fazer, e quando deviam fazê-lo. Do outro, onze atletas vestidos de azul e branco que, salvo honrosas exceções, não perceberam nada.

A primeira parte não merece mais do que meia dúzia de linhas, por pudor. Foram 45 minutos candidatos ao bocejo mais longo da temporada. O FC Porto não fez nesse período um único remate. Jogou a passo, de forma previsível. A Académica, surpreendida com a passividade dos detentores da Taça, pouco mais fez. Também não acelerou, para não abrir espaços. Duas ou três iniciativas pelos flancos, por Sissoko e Marinho, não foram suficientes para animar a coisa.

 

Sem meio-campo não se ganha

O FC Porto reentrou em campo com outra atitude e rapidez. Hulk e Walter, com boas iniciativas, pareciam querer resolver a eliminatória. Mas depressa se viu que era fogo de vista. O ‘Incrível’ não fazia jus ao epíteto e raramente conseguia ultrapassar o lateral-esquerdo dos estudantes, sendo, ao invés, deixado para trás por ele (grande exibição de Hélder Cabral); e o ‘Bigorna’ estava com a mira descalibrada.

Vítor Pereira mexeu na equipa e aos 60 minutos fez entrar James para o lugar de Belluschi. Em má hora o fez. Os dragões perderam a referência do meio-campo, aproveitando a Académica para lançar contra-ataques cada vez mais perigosos. Destaque para Habib e Adrien, em especial o ex-sportinguista, muito lestos a desmarcarem os rapidíssimos extremos.

Acabou por não surpreender que a Académica chegasse ao golo, aos 65 minutos. Sissoko, 19 anos, o melhor em campo, passou com naturalidade pelo improvisado lateral Maicón e descobriu Marinho à vontade na grande área. O ex-Naval só teve de encostar.

Vítor Pereira reagiu de pronto, tirando Varela e João Moutinho e fazendo entrar Kléber e Defour, mas o mote da partida não se alterou: o FC Porto atacava sem qualquer convicção, a Académica aproveitava para explanar contra-ataques pelos flancos. Foi assim que surgiu o 2-0, por Adrien. Hélder Cabral passou por Maicón, que parou a pedir uma falta, e centrou para outro golo fácil. E o 3-0, também pelo mesmo flanco. Ederzito – outra grande exibição - roubou a bola a Fernando e desmarcou Diogo Valente, que, entrado de fresco, só teve de desviar de Bracali.

Estava consumado o escândalo. O FC Porto estava fora da Taça de Portugal, logo à quarta eliminatória. A claque portista pediu a demissão de Vítor Pereira e o treinador e Hulk foram à flash interview reconhecer que a exibição da equipa tinha sido abaixo de zero. Haverá tempo de recuperar animicamente para a Ucrânia?

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