Barcelona, campeão anunciado

Vitória categórica em Villarreal dá o cheque-mate na luta pelo título. Golo irregular de Piqué deixo

Foi ao grito de “campeões, campeões” que o Barcelona saiu do estádio El Madrigal. A oito jornadas do final do campeonato a equipa de Pep Guardiola conseguiu uma vitória arrancada a ferros no terreno do Villarreal, um dos mais complicados de Espanha, e deixou o Real Madrid a oito pontos de distância.

O onze titular que o técnico catalão colocou em campo é revelador da confiança no grupo. Thiago Alcântara e Ibrahim Affelay foram as novidades no meio-campo, enquanto Leo Messi ficou a descansar no banco. E a primeira parte não podia ter sido melhor. Estando frente-a-frente duas equipas que na presente temporada ainda não empataram um único jogo a zero, esperavam-se golos e muito futebol de ataque.

O Villarreal não perdeu tempo e nos primeiros 12 minutos colocou Victor Valdés contra a parede, com o guarda-redes do Barça a responder com duas defesas soberbas. Os avançados do “submarino amarelo” ganhavam as costas a Piqué e Busquets (uma vez mais adaptado a central) com facilidade e faziam pensar que talvez a jornada ainda tivesse mais uma história que contar.

Depois de resistir ao fulgor inicial dos anfitriões, o campeão reagiu fazendo aquilo que sabe fazer de melhor, ou seja, partir para cima do adversário. Embora os mecanismos “culés” tenham provado uma vez mais estar automatizados, a pressão era feita sem a eficácia do costume, à qual não é alheia o divórcio de David Villa com o golo. O asturiano não marca há seis jornadas, período que constrasta com aquele que vive na selecção, ao serviço da qual apontou dois golos na passada semana, que o fizeram ultrapassar Raul Gonzalez como melhor marcador de sempre da Roja.

 

Valdés, o anti-herói

O Barça jogava bem, mas faltava o golo. Com o Villarreal muito comprometido na defesa era preciso “abrir a lata” e para isso Guardiola foi ao banco buscar o seu método mais tradicional. Messi entrou para o lugar de Keita e a fluidez ofensiva aumentou.

O cerco ia apertando e os dados da posse de bola são prova disso: ao minuto 60 o Barcelona registava 73 por cento, contra 27 por cento do Villarreal – dados que não surpreendem numa equipa que há 166 jogos consecutivos é superior aos adversários neste aspecto estatístico!

Seis minutos mais tarde a lata abriu mesmo, mas só de bola parada. Canto marcado ao primeiro poste, Busquets penteou a bola que foi parar ao peito de Piqué, com o central a fusilar Diego Lopez. No entanto, o golo é irregular, já que após receber no peito Piqué orienta a bola com o braço.

A saber que o Valência tinha ganho em Getafe e que em caso de derrota ficaria a três pontos do terceiro lugar, a equipa de Juan Carlos Garrido deitou mãos à obra e empurrou o adversário para a sua área. O problema é que pela frente esteve sempre Victor Valdés, guarda-redes menos batido do campeonato, e muitas vezes considerado o elo mais fraco do Barcelona. A resposta aos críticos não podia ter sido melhor. No estádio El Madrigal, Valdés rubricou um dos melhores jogos da carreira, onde a cereja no topo do bolo foi uma defesa com o joelho aos 86 minutos a remate de Cazorla. O momento deve ser visto e revisto vezes sem conta, porque se trata de algo especial.

O Barcelona leva 27 jogos sem perder para o campeonato, o melhor registo de sempre na história do clube, e praticamente deu o cheque-mate na Liga. Restam duelos com o eterno rival na Taça do Rei e possivelmente na Liga dos Campeões.