Benfica: Álvaro e Inácio aprovam Melgarejo a lateral

Exclusivo: Dois dos maiores defesas esquerdos da história do futebol português lembram que também fo

Jorge Jesus está a trabalhar Melgarejo na posição de defesa esquerdo, tentando fazer do jogador que esteve emprestado ao Paços de Ferreira um "novo Fábio Coentrão".

O Relvado falou com dois dos melhores defesas esquerdos da história do futebol português que também foram adaptados à posição, para tentar perceber se Melgarejo poderá dar um bom defesa esquerdo.

Álvaro Magalhães, jogador que durante tantos anos ocupou o lugar no Benfica e Augusto Inácio, ex-futebolista do Sporting e do FC Porto, acreditam que isso seja possível mas defendem que os encarnados têm de contratar mais um jogador para a posição, pois Melgarejo e Luisinho não chegam. Algo que, de resto, o Benfica está a tentar fazer.

"A adaptação do Melgarejo é uma opção na qual ainda não tinha pensado, mas pode ser que resulte. Aliás, eu próprio não comecei como defesa esquerdo e depois fiz uma boa carreira na posição...", começa por referir Álvaro Magalhães ao Relvado, recordando que era médio centro e até lateral direito antes de ser defesa esquerdo.

O ex-treinador do Nacional de Bengala acredita que Melgarejo "pode ser bem trabalhado e dar um bom lateral, como Jorge Jesus fez em relação ao Fábio Coentrão". Mas avisa que o Benfica "terá de ir ao mercado buscar mais um jogador, pois irá estar em muitas frentes". Algo que não duvida irá acontecer mais cedo ou mais tarde, "pois o presidente e o Rui Costa estão muito atentos ao mercado".

 

Inácio concorda: "Seria um risco iniciar a época apenas com o Luisinho e com o Melgarejo. Por vezes, estas adaptações não se conseguem num curto espaço de tempo. Lembro que o próprio Fábio Coentrão demorou..."

De acordo com Inácio, Marcos Rojo, ultimamente mais falado para o Sporting, "não seria uma boa opção para o Benfica, pois é um jogador que atua essencialmente como central".

Augusto Inácio diz esta possível adaptação de Melgarejo coloca-se "devido à falta de alternativas para o lugar no plantel do Benfica". Mas sublinha que poderá ser uma boa adaptação. "Eu também era extremo e recuei com sucesso para defesa... O mesmo aconteceu ao Fábio Coentrão e a outros jogadores", lembra.

De resto, o ex-treinador do Vaslui defende que "é mais fácil um extremo adaptar-se a lateral do que o contrário". E elogia Melrarejo. "Destacou-se no Paços de Ferreira, é certo que a extremo esquerdo, mas demonstrou ter garra, vontade, espírito de sacrifício e resistência, três caraterísticas importantes num lateral". E lembra que Luisinho, outra opção para a posição na Luz, "também era extremo no Desportivo das Aves".

Inácio frisa no entanto que "a adaptação poderá não ser fácil e Melgarejo terá de ganhar rotinas na posição e, principalmente, é preciso tentar perceber se ele consegue cobrir o espaço central da defesa, uma qualidade essencial num lateral".

 

As qualidades que se exigem a um lateral

Álvaro elogia Luisinho, considerando-o "um bom jogador", mas avisa que "jogar no Paços de Ferreira não é o mesmo que fazê-lo no Benfica". Por isso, acrescenta, "não basta vir para os jornais dizer que se tem grande vontade de ganhar, ele terá de provar dentro de campo que tem pujança para defender a camisola do Benfica".

O antigo defesa dos encarnados lamenta que "todos os anos seja o mesmo problema para encontrar um bom defesa esquerdo" e ainda se questiona o que se terá passado para que Capdevila tenha sido tão pouco utilizado na temporada passada. "Só Jorge Jesus poderá explicar porque optou por Emerson. Capdevila era e é um bom jogador, mas não teve oportunidades", aponta.

Álvaro lembra os seus tempos no Benfica, em que fazia o corredor esquerdo vezes sem conta durante os 90 minutos. "As pessoas diziam que eu e o Veloso [o lateral direito do Benfica na altura] éramos malucos. Mas não, nada disso! Sabíamos defender e atacávamos melhor ainda. Hoje em dia, há muitos laterais que chegam ao meio campo e param!", atira.

Já Augusto Inácio defende que as exigências que hoje em dia se colocam a um lateral são superiores às do seu tempo como jogador. "Na minha altura, preocupávamo-nos essencialmente em defender. Hoje em dia não, há uma correria constante pelo corredor, um lateral moderno tem de defender e atacar bem, ser agressivo. Mas há poucos assim no mercado... O Maicon, do Inter Milão, e o Fábio Coentrão são dois bons exemplos do que deve ser um lateral", sublinha.

De resto, na opinião de Augusto Inácio, "não existe um único lateral esquerdo que se destaque no campeonato português".

 

 

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