Dilema que já não é

A hipótese Jorge Jesus no FC Porto ultrajava-me, por um lado, mas entusiasmava-me por outro.

Como portista, estive num dilema que, como é do conhecimento público, já não existe. A hipótese Jorge Jesus no FC Porto "irritava-me", "ultrajava-me" por um lado, mas seduzia-me e entusiasmava-me por outro. Passo a explicar.

Como portista idealista e de princípios, a hipótese Jorge Jesus era um sacrilégio. Não só pela questão, hoje em dia essencial, de uma péssima imagem na comunicação, mas acima de tudo pela falta de lisura, postura e cavalheirismo que o mestre da tática durante estes últimos anos teve para com o FC Porto e futebol português em geral. Quem não se lembra do episódio da manchete na imprensa em que referiu que não desceria de cavalo para burro (aludindo à questão da hipótese FC Porto), quem não se recorda das investidas - qual lutador de MMA - no Benfica-Nacional contra jogadores, na postura arrogante para com jornalistas de quem sabe tudo e não gosta de ser questionado quanto às suas opções, pois quem é mestre da tática não deve ser questionado? Quem não se recorda da prepotência com que tratou a Académica num jogo ganho no fim por um penálti caído do céu, e mesmo assim, resolve na conferência de imprensa atacar a estratégia ultradefensiva de uma equipa limitadíssima que fez o que pôde, e mais não fez porque não a deixaram. Mesmo assim, o mestre da tática achou-se no direito de criticar o Fiat Uno, no altar do seu Ferrari vermelho, como se estivessem em igualdade de circunstâncias.

Por outro lado, a minha costela resultadista, de gostar de ver futebol de ataque e de reconhecer óbvios méritos ao Mestre da Tática (sem ironias desta vez), dizia-me que poderíamos ambicionar tudo com Jorge Jesus, porque com uma estrutura de top como a do FC Porto, junta com a "esperteza saloia" de Jesus, tínhamos fórmula para assombrar o Mundo da bola. Já estava a imaginar um futebol arrasador, de pressão alta, mas com alguém na estrutura do FC Porto a pôr travão a desequilíbrios tantas vezes calcanhar de aquiles no Benfica, e nada apanágio no FC Porto. Futebol vertiginoso, sim, mas sem riscos ilimitados.

Nada como um dia atrás do outro, para me tranquilizar. O dilema já não existe, já temos treinador.

PS - E no meu íntimo escolheria a versão romântica e de princípios, fora com Jesus... (pelo menos para já... rsrrsrs)