Barreiras Duarte e o funcionamento do sistema político

O caso Barreiras Duarte demonstra como funciona um sistema político maduro.

O caso Barreiras Duarte demonstra como funciona um sistema político maduro. Não relativamente ao facto de “os políticos serem todos corruptos”, ou, neste caso, estarem sujeitos ao nacional-chico-espertismo, mas relativamente ao facto de existirem mecanismos a que os ingleses chamaram “checks and balances”. Numa sociedade onde diversos poderes se vigiam mutuamente, não chega a existir nenhum que se sobreponha aos outros.

Normalmente, são os diferentes partidos políticos que se vigiam mutuamente, e numa democracia avançada esperamos que existam movimentos apartidários na sociedade civil que vigiem a ação dos partidos, e que se vigiem uns aos outros também. No caso da poluição do rio Tejo, causada por empresas privadas, o “check and balance” chama-se Arlindo Consolado Marques, em representação da sociedade civil.

No caso Barreiras Duarte, o “check and balance” é uma fação dentro do seu próprio partido. Não é tão habitual? Na verdade até é: basta lembrarmo-nos do provérbio de Winston Churchill: “Os meus adversários estão no outro partido, e os meus inimigos estão no meu próprio partido”.

A política não é uma lotaria

A história dos subsídios e ajudas de custo de Barreiras Duarte, a ser verdade tudo o que se tem discutido e que levou à sua demissão, dá a sensação que a ocupação de cargos políticos é uma espécie de lotaria, onde se ganha dinheiro sem qualquer sacrifício ou merecimento. Segundo o site Observador, Barreiras Duarte já se tinha envolvido num caso semelhante enquanto vereador no Bombarral; à época, teria invocado ter morada em Lisboa. Para o cidadão comum, restaria jogar na lotaria online para ganhar dinheiro desta forma fácil.

Todavia, não é assim que funciona. Assim que um político alcança um determinado nível de notoriedade ou responsabilidade, não faltarão interessados em desmascarar eventuais irregularidades. E isso deveria incentivar todos os que têm ambições a… evitar irregularidades ao longo do percurso.

O sistema funciona?

O sistema… vai funcionando, uma vez que é desenhado à medida da cultura de cada povo. Como é bem sabido, a corrupção e o nepotismo são um problema a nível mundial, da França à Coreia da Sul, da Ilha Maurícia à China, da Rússia ao Médio Oriente e aos Estados Unidos e à América Latina. Portugal é um país onde todos nos tentamos “safar”, de uma forma ou de outra, logo isto poderia ser bem pior. Países isentos de corrupção só mesmo na Escandinávia, onde a própria cultura do povo leva a evitar este tipo de situações.

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