Comprar ações: regresso ao futuro?

Investimentos mais prudentes ou mais arriscados? A escolha é sua

Para quem procura a melhor forma de aplicar as suas poupanças e fazê-las render, comprar ações cotadas em bolsa parece sempre uma opção demasiado distante ou inviável. Contudo, esta forma de investir poderá estar a tornar-se, novamente, relativamente comum. Tal acontece porque se está a popularizar um tipo de ferramenta tecnológica que simplifica enormemente todo o conjunto de operações associado a estes investimento. Falamos das apps de trading, que desenvolveremos em seguida.

A febre do mercado acionista português dos anos 80

Quem sabe se a disponibilidade das novas ferramentas tecnológicas não provocará um regresso ao “boom” bolsista português dos anos 80. Foram anos de grande dinamismo, numa conjunta em que se congregaram vários fatores. Em primeiro lugar, fatores endógenos, relacionados com a progressiva liberalização da economia depois dos movimentos de estatização no pós-25 de abril. Depois, poderosos fatores exógenos, uma vez que as economias internacionais impulsionavam esses movimentos de desregulamentação e de verdadeiro entusiasmo pelo poder dos mercados livres (estávamos na era do presidente Reagan e da primeira-ministra Thatcher, nos Estados Unidos e da Grã-Bretanha respetivamente). Por fim, o próprio ambiente de entusiasmo no país, que vivia um período de crescimento económico vigoroso iniciado em 1986 e que se prolongaria até 1992. O Jornal de Negócios, num famoso artigo, relata a “série sucessiva de operações públicas de venda” que aconteceram no mercado português entre 1986 e 1988.

O novo mercado acionista tecnológico: apps de trading

É desta época o célebre filme “Regresso ao Futuro”, com Michael J. Fox e Christopher Lloyd, a que aludimos no título deste artigo. Com efeito, o despertar da tecnologia permite visionar um futuro, a curto prazo, em que a maioria dos investidores interessados em vender e comprar ações o faça através de aplicações de trading. E também que uma percentagem significativa da população o faça, ainda que em muitos casos com valores relativamente pequenos.

As apps de trading, como é o caso da eToro, permitem ao investidor visualizar com facilidade as ações que pretende comprar, a respetiva cotação, de quantas dispõe e toda a restante informação de que necessite para gerir a sua banca. Além disso, há o aspeto social trazido pelas novas aplicações. Comprar ações já não se limita a ler jornais económicos, dar ordens de compra e venda a um corretor ou representante bancário e continuar a acompanhar a evolução pelos jornais. Agora o mercado está online; os investidores podem “seguir-se” como numa rede social, trocar impressões, falar para os seus seguidores e até definir estratégias conjuntas. A alta finança já detetou o fenómeno, capaz de se constituir como um fator decisivo na evolução da cotação de determinadas ações a curto ou médio prazo, como veio provar o caso GameStop.

Há outra poderosa razão para se imaginar um futuro florescimento do trading social. Os investidores estão mais abertos e disponíveis a novidades, depois dos problemas pelos quais passou a banca tradicional – e particularmente a banca de investimento – nos últimos anos. Muitos preferirão experimentar por si próprios, acompanhar o que o mercado está a dizer na rede e colocar um pequeno investimento na empresa A, outro na empresa B e ver o que acontece – em vez de confiar cegamente a totalidade do seu orçamento num fundo de investimento que poderá dar prejuízo.

Investimentos mais prudentes ou mais arriscados? A escolha é sua

Sobra ainda mais uma razão em favor das apps de trading: a escolha da estratégia de investimento cabe inteiramente ao utilizador. Alguns poderão apontar a ações com perspetivas de ganhos rápidos; outros preferirão um perfil mais conservador; e quase todos quererão dispersar o risco investindo em diferentes empresas e/ou setores económicos. Uma app de trading dá toda esta capacidade de decisão ao utilizador.

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