O famigerado Estádio de Oeiras

Num período de enormes dificuldades financeiras, o Governo gasta 1,2 milhões de euros no Jamor.

Já muito se falou sobre este hábito antigo, conservador e caprichoso de se continuar com a opção doentia de se jogar a final da Taça de Portugal no estádio de Oeiras. Percebe-se com relativa facilidade que esta escolha e orientação desportiva se deve em grande parte a interesses de terceiros mais ligados ao Terreiro do Paço, leia-se poder desportivo, e situados ao longo da 2.ª Circular da capital portuguesa - os quais, por serem de tão fácil aclaração, me reservo aqui de os enunciar.

O que todos sabemos, e é um facto indesmentível, é que a história desta competição fala por si própria. Isto é: desde há uns anos a esta parte as condições sine qua non para a realização de eventos desportivos naquele recinto de jogo deixaram de ser promulgadas ou julgadas em conformidade por parte da FIFA, da UEFA e por vários outros organismos ligados ao desporto e à segurança de pessoas e bens. Ainda hoje estará bem presente nas nossas memórias aquele dia fatídico em que um espectador perdeu a vida naquele recinto desportivo. Existem por todo o país várias alternativas de estádios com excelentes condições de conforto e segurança, que poderiam ser melhor aproveitados em prol dum melhor espetáculo desportivo, e para o efeito prático que foram concebidos anteriormente.

Só que, por estranho que pareça, e num período de enormes dificuldades financeiras que o nosso país vem atravessando, Luís Marques Guedes, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares responsável pela pasta do Desporto, veio a terreiro dar conhecimento que o Governo irá em breve gastar 1,2 milhões de euros com a requalificação do Estádio do Jamor, se bem que nada nos garanta que posteriormente as novas condições permitam à seleção portuguesa voltar lá a jogar.

Mais uma vez, isto vem justificar a marcação daquele evento para um local neutro, que permita a deslocação dos adeptos das duas equipas em confronto e em igualdade de circunstâncias no que toca à sua localização geográfica, e acabando definitivamente com a justificação esfarrapada, conservadora e sectária em vigor da FPF.