Há sportinguistas injustiçados

Cada vez me revejo menos nesta falta de cuidado em preservar a história do Sporting.

Desde que Bruno de Carvalho se tornou presidente do Sporting, tem sido lançado, no meu entender, um mito na blogosfera leonina, de que o projeto de José Roquette foi o grande responsável pelo fracasso desportivo dos últimos anos, sendo que o próprio José Roquette é dado como o pai do descalabro.

Falando por mim, confesso que na época de 2012-2013, quando o Sporting chegou a estar numa posição de "luta pela permanência", alguns boatos são mais fáceis de atingir o alvo, face ao desgaste emocional perfeitamente natural que nós sentíamos, por vermos a nossa equipa a ocupar os últimos lugares na Liga portuguesa, o que nos torna mais vulneráveis. Os meus primeiros artigos neste site foram precisamente a alimentar esse mito, face a alguma ingenuidade, e tristeza, que sentia nesses tempos.

O tempo passou, e durante este mandato tenho verificado que, diariamente, muitos Sportinguistas passam os dias nas redes sociais a difamar tudo o que são antigas direções, nomeadamente desde o período do projeto Roquette (1995 a 2013), em que todos os presidentes desse período, de uma forma direta ou indireta, estiveram ligados a José Roquette. "Lambuças", "croquetes", "dinastia" ou "ladrões", são termos usados por esses "soldadinhos" para pisar tudo o que é do passado, e enaltecer o seu "Deus-Sol". Existe até uma já mais que vista paranóia do presidente em relação à internet, que chegou ao ponto de processar sócios por comentários no facebook, ou de discursar durante 2 horas em Assembleias-Gerais, falando do que se escreve por lá!

Vistas estas tristes figuras ao longo dos tempos, comecei a perceber que eu próprio, num momento de fragilidade emocional em 2012-2013, fui enganado! Mas o tempo passou, e cada vez me revejo menos neste sectarismo, deste dividir para reinar, nesta falta de cuidado em preservar a história do Sporting. Não auguro futuro para o Sporting, se não preservarmos ao máximo a história deste grande clube.

Foram feitas auditorias de gestão ao período de 1995 a 2013, para cumprir uma promessa eleitoral de Bruno de Carvalho. Durante o próprio mandato, e quando as auditorias estavam a decorrer, quando dava jeito, lá vinha Bruno de Carvalho falar em auditoria, em "eliminar sem receios quem se servia do Sporting", ou simplesmente, difamar pessoas com passado no Sporting, como Dias da Cunha. Tem valido de tudo, e o "monstro" tornou-se incontrolável, de tal forma, que Godinho Lopes foi expulso de sócio do Sporting numa Assembleia-Geral populista, sem direito a contraditório. Uma vergonha para o Sporting, a fazer lembrar um auto-de-fé!

Mas como as auditorias não concluíram nada de relevante (como se o Sporting não tivesse sido auditado ao longo dos anos!), penso que é justo acabarmos com estas jogadas demagógicas que não servem o Sporting.

Antes de analisarmos o que foi o período correspondente a 1995 a 2013 (18 anos), acho que é justo analisarmos o que era o Sporting antes do período Roquette:

- Nos 18 anos anteriores (1977-1978 a 1994-1995), o Sporting ganhou 2 campeonatos, ficou 2 vezes em 2º lugar, ficou 10 vezes em 3º lugar, e ficou 4 vezes em 4º lugar. Na Taça de Portugal, soma apenas 3 conquistas. A nível europeu, o melhor que se conseguiu foi uma meia-final da Taça UEFA em 1990-1991.

- Nos 30 anos anteriores, o Sporting só ganhou 5 campeonatos, estava há 13 anos consecutivos sem vencer o título, e a única Taça de Portugal conquistada nesses 13 anos, foi na época de 1994-1995.

Os sportinguistas ansiavam por um Sporting ganhador. Um Sporting campeão com regularidade, algo que não acontecia desde meados dos anos 50, aquando do fim de ciclo dos 5 Violinos. Surgiu José Roquette (neto de José Alvalade), com um plano para tentar esse objetivo. Foi o único que apresentou um plano, uma ideia, o que originou uma grande esperança para os Sportinguistas. O projeto Roquette acabou por ser um modelo a seguir pelo próprio futebol português. Consistia na modernização do Sporting para o Seculo XXI, com a construção de um estádio, a construção de uma academia, a criação de uma SAD cotada em bolsa com contas auditadas, ou a luta contra o "sistema" tentando dar credibilidade ao futebol-negócio (arbitragens e não só). Apresentado o projeto em Assembleia-Geral, os Sportinguistas legitimaram esse projeto, e caminharam juntos durante anos, sem complexos ou sectarismos.

Vamos analisar alguns factos de cada um dos mandatos, complementando com alguns vídeos do youtube que considero interessantes, para chegarmos à minha opinião sobre o que impossibilitou um maior sucesso do projeto Roquette:

Santana Lopes - Mal entrou no Sporting como presidente, viu-se envolvimento numa situação bastante delicada, que tinha a ver com as eleições na Liga de clubes:

https://www.youtube.com/watch?v=pFoSxOYR_wg (Eleições na Liga de clubes em 1995)

Visto o vídeo, é notório que o Sporting não detinha qualquer poder nos órgãos de decisão, tornando difícil o Sporting bater-se de igual de igual com os seus mais diretos adversários nos anos seguintes.

De uma maneira geral, não foi um bom presidente, e José Roquette decidiu ele próprio assumir a presidência. Mas ao menos demonstrou não ter papas na língua em relação ao "sistema".

José Roquette - Durante este mandato, também não teve vida fácil devido a essa falta de protagonismo nos órgãos de decisão. Na época de 1998-1999, foi quando tudo "explodiu". Nessa temporada, o Sporting foi provavelmente a equipa que melhor futebol praticou. Logo no início dessa temporada, o Sporting foi de tal forma prejudicado que ao protestar com toda a sua legitimidade os árbitros das primeiras categorias fizeram greve a um jogo do Sporting. Mas o Sporting continuaria a ser prejudicado, até que o Sporting começou de uma forma declarada a luta contra o "sistema", como podem ver pelos seguintes vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=bvCS5T91HN4 (Jogo do luto)

https://www.youtube.com/watch?v=c7rM670uYDk (Entrevista a Dias da Cunha)

https://www.youtube.com/watch?v=wGNbmgNi49U (Discurso de José Roquette)

O Sporting, com tudo o que aconteceu nessa temporada, aparentemente soube defender-se, para que no ano seguinte o Sporting não tivesse o "sistema" contra si, e viesse a ganhar o título, tendo José Roquette escolhido Luís Duque para a presidência da SAD (um homem poderoso nos bastidores). Uma estratégia que deu sucesso, e tal como José Roquette disse no momento da vitória: "fez-se justiça finalmente!"

https://www.youtube.com/watch?v=kJiObZkN2Io (Sporting campeão após 18 anos)

José Roquette acabaria por se demitir semanas depois, devido a desentendimentos com Luís Duque.

Considero que foi um bom presidente. Contribuiu para pôr termo a um pesadelo de 18 anos, contribuindo para que os jovens vissem um Sporting campeão, e foi pioneiro na modernização do Sporting para o seculo XXI, sendo um modelo a seguir pelo próprio futebol português. Saiu a mal do Sporting, e não teve culpa da incompetência de alguns dos seus sucessores. Merecia mais respeito.

Dias da Cunha - Com Dias da Cunha, a luta contra o "sistema" continuou, ao ponto do Sporting ter tido ao seu serviço Marinho Neves:

https://www.youtube.com/watch?v=0dGL8Jx121U (Marinho Neves investigador do Sporting)

Dias da Cunha tentou de todos os meios credibilizar o futebol português, e defender o Sporting. Tentou puxar para si todos os clubes nacionais, incluindo Benfica e Porto, para que os clubes se unissem em torno de um futebol mais transparente.

O trabalho feito no tempo de Dias da Cunha nesse sentido, aparentemente, foi importante para deixarem a melhor equipa na época de 2001-2002 se sagrar campeã nacional. Era então o segundo título nacional em 3 anos, e o projeto Roquette começava a dar esperança aos Sportinguistas. Modernizou-se o clube construindo o novo estádio e a uma academia de excelência, que tem servido ao longo dos anos, para servir a equipa principal. Os alicerces para um grande futuro, estavam todos lá.

Mas podia Dias da Cunha, por mais meios que tentasse, regenerar o futebol português com dirigentes como Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira?

A época de 2004-2005 foi marcada por uma grande inconstância por parte dos três "grandes". Apesar disso, o Sporting foi a equipa que melhor futebol praticou nessa temporada, e merecia ter sido campeão nacional. Foi uma época de futebol tão agradável, que deu para chegar a uma final europeia.

Os escândalos de arbitragem a envolverem o Benfica na Liga Portuguesa foram mais que muitos. Quem não se lembra do célebre jogo contra o Estoril no Algarve, em que José Veiga, como acionista de referencia do Estoril, era diretor do futebol do Benfica? Quem não se lembra do famoso golo do Luisão contra o Sporting no jogo do título na penúltima jornada, em que até um empate servia ao Sporting?

Em condições normais, teria sido o 3º campeonato desde 2000. Assim, Dias da Cunha, mais facilmente saiu do Sporting na época seguinte após alguns resultados negativos. Se o Sporting fosse o então campeão nacional, tal não teria acontecido, pois haveria mais margem para errar por parte dos associados.

Na minha opinião, um bom presidente, e atualmente, também não merece ser tratado como "inimigo do clube".

Soares Franco - Com Soares Franco, o Sporting já começava a sentir algum aperto financeiro devido ao passivo, não só pela falta de resultados desportivos, mas também, pela inevitável modernização do Sporting a nível de infraestruturas, pois o Sporting, ao contrário de outros clubes, não teve ajudas do Governo para praticamente nada. Pagou tudo!

Soares Franco entendeu que o Sporting precisava de vender património, o que gerou alguma divisão na família leonina, em que teve como principal rosto da oposição Dias da Cunha. A oposição foi tal que chegaram a ir a um debate na SIC Noticias em 2009. Isto demonstra que aquele período da história do Sporting não foi propriamente uma dinastia.

https://www.youtube.com/watch?v=YCYj2O8Y408 (Debate Dias da Cunha e Soares Franco)

Talvez por uma questão de mudança de estratégia, aparentemente, a luta contra o "sistema" foi travada.

Apesar disso tudo, nesse período, foi possível manter Paulo Bento durante 4 épocas, apresentando resultados interessantes. A equipa ficou sempre em 2º lugar, garantindo a Liga dos Campeões, ganhou 2 Taças de Portugal, e 2 Supertaças.

Mas o Sporting continuaria a ser prejudicado pelas arbitragens. Na época de 2006-2007, quem não se lembra de uma derrota em Alvalade contra o Paços de Ferreira por 0-1, em que o golo foi obtido com a mão? No final desse campeonato, o Sporting ficou em 2º lugar, com apenas menos 1 ponto que o FC Porto, e tinha vantagem no confronto direto com os dragões, já que foi ganhar ao Dragão com um golo de Rodrigo Tello. Em 2009, Lucílio Batista decidiu roubar a Taça da Liga ao Sporting, e lá se foi mais um troféu...

Este vídeo resume na perfeição a vida difícil de Paulo Bento no Sporting durante 4 anos:

https://www.youtube.com/watch?v=HPulol406qo (A revolta de Paulo Bento)

Feitas as contas, de 2000 a 2009, com verdade desportiva, o Sporting teria ganho 4 campeonatos, 1 Taça da Liga, a juntar às 3 Taças de Portugal e às 4 Supertaças, e até a uma final europeia. Seria francamente positivo, para um clube que tinha estado 18 anos sem vencer o campeonato. Decerto, que esses títulos usurpados iriam gerar mais estabilidade diretiva, mais estabilidade financeira, mais adeptos, mais sócios, mais patrocínios, mais receitas de TV, etc; o que provavelmente, iria gerar ainda mais vitórias. Infelizmente, Soares Franco, tal como Dias da Cunha, não resistiu à falta do principal objetivo - o título de campeão nacional. Iriamos então entrar, nos piores anos da história do clube.

José Eduardo Bettencourt - A herança não era fácil, porque o Sporting continuava a gastar dinheiro (por vezes muito mal gasto) e a não ser campeão nacional, e o passivo a aumentar. No entanto, o seu curto mandato foi marcado por muitas trapalhadas por culpa própria, e com os resultados desportivos sabidos. Episódios como a "maçã podre", ou a contratação de jogadores como Pongole, ou treinadores como Paulo Sérgio...

Foi empurrado pela Banca para ser o presidente, e nem ele próprio mereceu tudo o que aconteceu. Apesar de tudo, é um grande Sportinguista. Era um adepto de bancada, e de tão apaixonado pelo Sporting, creio que nunca deveria ter sido presidente só por esse motivo.

Godinho Lopes - Com um cheque e uma vassoura, iniciou-se um projeto que poderia ter tido sucesso, não fosse a precipitada demissão de Domingos Paciência a meio da temporada, para ir buscar Sá Pinto, sem qualquer experiencia de futebol sénior enquanto treinador. É verdade que Domingos ao longo da carreira se revelou um flop, mas no mínimo, deveria ter permanecido em Alvalade até ao fim da temporada, e nunca para ir contratar Sá Pinto. Não se podia pedir grandes resultados desportivos a Domingos, quando no início da temporada se tinha contratado cerca de 20 jogadores. Ora isto gerou crises desportivas atrás de crises desportivas, e quando a equipa já estava nos últimos lugares da Liga, já era tarde. O Sporting chegou a pagar a 5 treinadores ao mesmo tempo, e nem a chegada de Jesualdo Ferreira, que deu alguma estabilidade à equipa, foi suficiente para evitar a queda de Godinho Lopes.

Penso que o problema do 7.º lugar, não foi uma questão de qualidade dos jogadores, nem de dinheiro. Dinheiro o Sporting teve para gastar, e a equipa era praticamente a mesma que na temporada anterior tinha feito uma Liga Europa muito interessante, estando às portas da final. O problema foi um amadorismo total na gestão desportiva.

Apesar da mediocridade desta administração, a reestruturação financeira ficou na gaveta, para o seu sucessor... Mas isso é outra história... Adiante:

Feito este resumo daquilo que eu acho que condicionou o Sporting durante o projeto Roquette, vamos ver o que se ganhou durante 18 anos (1995 a 2013), e comparar com os registos já aqui demonstrados, aos 18 anos anteriores ao projeto Roquette:

- Em 18 anos, o Sporting ganhou 2 campeonatos, ficou 5 vezes em 2º lugar, 6 vezes em 3º lugar, 4 vezes em 4º lugar, e ficou uma vez em 7º lugar. Na Taça de Portugal, soma apenas 3 conquistas. A nível europeu, o melhor que se conseguiu foi uma final da Taça UEFA em 2004-2005.

- Nesses 18 anos, modernizou-se o clube, fundando a SAD, e construindo o Estádio e a Academia, que tem servido durante estes anos, para alimentar a equipa principal.

Comparando o que foi o Sporting no período Roquette com as décadas anteriores, conclui-se que afinal, até não prejudicou o clube. Infelizmente, o objetivo foi falhado, mas não prejudicou, na medida em que o Sporting já tinha escassos resultados desportivos. A última imagem é sempre a que fica (7º lugar), mas nem tudo foi mau, nem todos foram maus.

É verdade que o passivo do Sporting era - e é - muito grande. É ainda hoje, o clube dos 3 "grandes", aquele que está em pior situação financeira, mas esta é também a realidade do futebol português, em que a banca abriu a torneira a todos, seja para infraestruturas, seja para comprar jogadores. Qual é o passivo de Benfica e FC Porto? Claro que houve erros cometidos, mas quem não os comete? Será que Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa nunca cometeram erros?

O Sporting em meados da década de 50, aquando do fim de ciclo dos 5 Violinos, perdeu a hegemonia do futebol português até hoje. Foi ganhando um campeonato aqui e acolá... O futebol português tem vivido de ciclos hegemónicos. Se o Sporting teve o seu auge nas décadas de 40\50, se o Benfica teve o seu auge nas décadas de 60\70, se na década de 80 Benfica e Porto equilibraram-se, e se da década de 90 até hoje quem domina é o FC Porto; quem sabe, se a hora do Sporting voltar a ter a hegemonia não estará próxima...

Mas para o Sporting voltar a ser um clube campeão com regularidade, não me parece que tal se consiga se estivermos sempre a bater palminhas a tudo o que Bruno de Carvalho diz ou faz, como a difamar tudo o que é do passado, como se o Sporting não tivesse tido pessoas competentes e honestas a liderar o clube. O Sporting tem muitas histórias bonitas desde 1906, e estar sempre a recorrer ao passado, para justificar as trapalhadas do presente, é de uma grande desonestidade intelectual.

Se as auditorias não concluíram nada de relevante, acho que é tempo de fazermos as pazes com o passado, e perceber que houve coisas boas, e coisas más, que houve pessoas mais competentes, e outras menos competentes. Assim como Bruno de Carvalho tem feito coisas interessantes, mas também tem demonstrado incompetência em determinadas áreas.

Portanto, vamos parar de recorrer sempre ao passado, para desculpar algumas coisas mal feitas por Bruno de Carvalho. Bruno de Carvalho só tem é que estar sujeito à crítica como todos os outros foram. Sem uma cultura de exigência e de sentido critico, não há a capacidade de crescermos. Quando Bruno de Carvalho sair do Sporting, o Sporting continuará a jogar, e não vai acabar!

Este artigo é sobretudo uma opinião pessoal sobre aquilo que condicionou o projeto Roquette. Um projeto, que na minha opinião, era inevitável, pois o Sporting tinha que se modernizar para o futuro. Acho que o "sistema" condicionou em muito um projeto que teve total legitimidade por parte dos sócios, pelo menos até à eleição de José Eduardo Bettencourt. A história do Sporting foi o que foi no últimos anos, mas merece ser o mais bem preservada possível. Penso que é suficiente para elucidar quem hoje em dia anda "cego" com o "Salvador". Pelo menos, os que escrevem nos blogs e no facebook de forma completamente descomprometida, mas têm sido levados a estas táticas da contrainformação e da demagogia, assim como eu próprio, também já fui...

Hoje o Sporting vive uma grave crise de identidade promovida pelo seu presidente, que não augura nada de bom para o futuro, em que há Sportinguistas anónimos que são apelidados de "croquetes", e isto, só por terem opinião. Mas o tempo é mestre, e o tempo vai demonstrar quem foram os bons, e os maus, em todos os períodos da história do Sporting...

PS: Deixo aqui este artigo, para complementar com o que aqui foi escrito: http://relvado.aeiou.pt/porque-sousa-cintra-nao-foi-incluido-na-auditori...