De miúdo maravilha ao fracasso: a carreira de Royston Drenthe

Na história do futebol, há casos de jogadores que prometiam grandes carreiras no início...

Na história do futebol, há casos de jogadores que prometiam grandes carreiras no início das suas respetivas trajetórias, e que por diversos motivos não conseguiram traduzir as expetativas em realidade. 

Entre os jogadores que dececionaram após um início de carreira incrível, está o nome de Royston Drenthe. Em 2007, o Europeu de Sub-20 foi dominado pelo então jovem extremo, que emanava qualidade e velocidade no lado esquerdo. Com apenas 20 anos, Drenthe passou a ser um dos jogadores mais cobiçados do mundo entre as principais equipas do planeta. De facto, o Europeu de Sub-20 subiu a reputação do holandês de uma maneira que nem o próprio jogador imaginava. Eleito como o melhor jogador daquela competição, o lateral-esquerdo ficou à frente de jogadores como Ryan Babel e Miguel Veloso.

Hoje, cerca de 13 anos após o incrível torneio de Drenthe com a camisola da Holanda, o jogador encontra-se a jogar na segunda divisão do futebol holandês e com os dias contados para o fim da sua carreira. De miúdo maravilha ao fracasso, Drenthe teve uma carreira peculiar nos anos que se seguiram à excelente participação no Europeu de Sub-20.

O Feyenoord, clube que o lançou para o mundo, não conseguiu manter o jogador durante muito tempo. Logo naquele verão de 2007, Drenthe foi vendido ao Real Madrid, com a expetativa de que se tornasse o sucessor de Roberto Carlos como lateral-esquerdo.

Primeiros anos felizes em Madrid

Contratado pela equipa espanhola por 14 milhões de euros, e com a expetativa de que logo nos primeiros anos se convertesse no titular da posição, ou pelo menos como uma opção confiável, o rótulo de nova estrela do futebol holandês perdurou por algum tempo. A primeira época de Drenthe com a camisola dos merengues não dececionou. Foram 26 jogos, com mais da metade deles como titular e com o título da La Liga.

Com a capacidade de correr mais do que qualquer outro jogador na equipa e a facilidade de realizar jogadas ofensivas, a segunda época de Drenthe também foi positiva, com 28 jogos disputados.

Falta de profissionalismo e consolidação de Marcelo

No entanto, a ascensão do brasileiro Marcelo como um jogador de qualidade na defesa e a presença do veterano Gabriel Heinze retiraram espaço a Drenthe. Para jogar na equipa, o holandês tinha apenas a posição de ala pela esquerda, mais avançado do que deveria jogar. Sem muita qualidade sem as bolas nos pés, Drenthe ficou exposto com a falta de capacidade no passe e finalização. Com a chegada do chileno Manuel Pellegrini como treinador, o holandês perdeu o pouco espaço que ainda tinha no conjunto madrileno.

Já na terceira época de Drenthe no Real Madrid, em 2009-10, o jogador saiu ao campo em apenas oito jogos na La Liga, e era previsível que a vida do holandês nos merengues não duraria por muito tempo. O que também piorou a situação de Drenthe na equipa foi a chegada de Cristiano Ronaldo, que logo eliminou qualquer possibilidade de que o holandês tivesse espaço na equipa. O português, amigo de Marcelo, dominou o lado esquerdo do Real Madrid ao lado do brasileiro.

A falta de profissionalismo por meio de comportamentos pouco aceitáveis, que envolviam a ausência nos treinos e outras questões, afastaram Drenthe ainda mais de uma possibilidade real de brilhar no Real Madrid.

Longe do Real Madrid, Drenthe também não encontrou espaço

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Em 2010, Drenthe encontrou-se sem qualquer possibilidade de jogar no Real Madrid. Como o contrato com a equipa ainda não tinha terminado, o jogador foi emprestado ao Hércules, também em Espanha. Numa equipa que lutava para manter-se na La Liga, nem mesmo no Hércules o holandês conseguiu uma boa sequência de jogos. Contabilizou apenas 17 aparições no relvado com a equipa, que não foram suficientes para um regresso ao Real Madrid.

Em 2011-12, o treinador David Moyes deu uma possibilidade ao holandês no Everton. Na equipa inglesa Drenthe teve um bom início de trajetória, mas logo começou a faltar aos treinos e manteve o pouco profissionalismo longe do relvado. A oportunidade no Everton foi a última do holandês numa grande equipa do futebol europeu. Depois disso, passou pelo Alania da Rússia, assim como o Reading e o Sheffield Wednesday, na Inglaterra.

Abandono e regresso ao futebol

Após a trajetória curta no Baniyas da Turquia, de apenas uma época, Drenthe sentiu que tinha chegado a hora de dar como concluída a sua carreira como jogador de futebol e dedicar-se a outros projetos. Com apenas 29 anos, em 2016 o jogador anunciou a notícia que consolidaria a deceção como jogador de futebol após toda a expectativa que tinha criado. Decidiu dedicar-se à carreira de músico através do hip hop, com canções e parcerias com outros músicos. Gravou canções e pensou inclusivamente em começar um tour pela Holanda. 

Do hip hop, Drenthe também passou pelo póquer, paixão que adquiriu enquanto jogava futebol com as equipas inglesas. Mas se nos dias atuais é possível ter acesso ao casino através do telemóvel, Drenthe gostava de praticar o póquer da maneira mais tradicional possível nos casinos holandeses e estado-unidenses. Atualmente, o jogador ainda participa em alguns torneios que acontecem na Holanda, mas sem a mesma regularidade que tinha entre os anos de 2014 a 2017.

Após treinar com o Sparta Rotterdam, em julho de 2018, o jogador perdeu mais de 15 quilos e ganhou uma oportunidade para representar a equipa da qual sempre gostou. Durante uma época com o Sparta Rotterdam, Drenthe foi relevante para regressar com a equipa à primeira divisão do futebol holandês. No entanto, após o fim da última época, o contrato do veterano não foi renovado.

Fim de carreira perto de casa

Sem a possibilidade de voltar a jogar na primeira divisão holandesa, Drenthe sentiu que o regresso ao futebol ainda devia durar mais algum tempo e em 2019 assinou com o Kozakken Boys. Equipa sem muita tradição no futebol holandês, o Kozakken Boys atualmente disputa a segunda divisão da Holanda. Sem ser titular, é muito provável que Drenthe não renove contrato com a equipa.

Perto de casa, que é Roterdão, Drenthe escolheu assinar com o Kozakken Boys para provavelmente dizer adeus ao futebol. Uma carreira que poderia ter sido muito mais do que foi, e que deixa uma sensação de potencial não aproveitado.

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