FC Porto-Apoel: O que se passa, campeões? (crónica)

O FC Porto deixou mais uma pálida imagem do seu real valor. O meio-campo carbura a gasóleo, mas não

Um FC Porto sem chama ouviu esta quarta-feira assobios por parte dos adeptos no Estádio do Dragão, algo a que há muito não se assistia. O empate na receção ao Apoel de Nicósia nem foi o principal problema – é a falta de ideias e a apatia de jogadores fulcrais, que ainda há poucos meses entravam nas contas dos maiores clubes do Mundo, que preocupa os muitos aficionados azuis e brancos.

Vítor Pereira tinha desdramatizado a importância do desafio e pedido calma aos jogadores, lembrando que o Apoel já se tinha aproveitado na ronda anterior da intranquilidade do Shakhtar. Mas tranquilidade é algo que também não abunda por estas alturas no Porto.

Este era um jogo para entrar, vencer e, sobretudo, convencer. Afinal, a diferença entre os campeões de Portugal e do Chipre é, ou deveria ser, abissal. Mas os cipriotas desde o início que mostraram que, para essa superioridade sair do papel, o FC Porto teria de correr muito esta noite.

 

Este Apoel é mesmo do Chipre?!

Muito bem organizado em todo o campo – que diferença para as equipas do Chipre de ainda há um par de anos! –, personalizado, ciente das suas capacidades, o Apoel entrou em campo a controlar e saiu quase a ganhar. Por esta altura, o treinador Ivan Jovanovic terá sentimentos dúbios: empatou no terreno do titular da Liga Europa, mas poderia ter vencido.

Não admira, portanto, que a lentidão de processos do meio-campo (Guarín esteve a gasóleo, João Moutinho nem isso) tenha exasperado os adeptos mais pacientes. Não admira, também, que as ocasiões de golo do FC Porto tenham sido raras. Foi valendo a irreverência de James Rodriguez, travado em falta muitas vezes, a desenvoltura de Kléber, cada vez mais integrado, e alguns piques de Hulk para agitar de vez em quando o jogo.

E valeu também um enorme frango do guardião Chiotis, ainda combalido de um choque com Kléber, para o FC Porto se colocar em vantagem, aos 13 minutos. O golo de Hulk não atemorizou o adversário. Bem pelo contrário, seis minutos depois, Aílton (o melhor em campo, bem secundado pelo português Hélio Pinto) fez o que quis de Fernando e empatou a partida, com um golo de belo efeito.

Até ao intervalo, foram do Apoel os lances mais bem desenhados. Oliveira, de cabeça, quase fez o 2-1.

 

Intervalo não mudou nada

Esperava-se outra atitude por parte dos comandados de Vítor Pereira na segunda parte. Mas o deserto de ideias continuou – e até se agravou. Nos primeiros 20 minutos, apenas Hulk tentava remar contra a maré.

Na tentativa de dotar o meio-campo da criatividade que não existia, o treinador lançou Belluschi e Varela, para os lugares de Fernando e Varela. A dupla recém-entrada mexeu um pouco no jogo, mas o Apoel continuava a controlar os acontecimentos. E a troca de João Moutinho por Defour de nada adiantou.

No último minuto dos descontos, o substituto Adorno quase gelava o Dragão. Valeu Helton, que segurou o empate. Uma derrota também seria castigo demasiado pesado.

 

Árbitro fraco como o jogo

O árbitro, o francês Antony Gautier, esteve como o jogo: fraco. Um cartão amarelo a James Rodríguez, por entender que o colombiano simulou uma falta, foi um erro de palmatória.

O FC Porto chega assim a meio da fase de grupos da Liga dos Campeões em segundo lugar e com dois jogos fora seguidos para disputar, em Nicósia e em Donetsk. Não vencer o próximo poderá significar mesmo a morte do artista.

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