FC Porto-Shakhtar: Hulk, James e mais nove (crónica)

Foi-se Falcao, que faz falta, mas no Dragão moram outros jogadores capazes de manter a equipa no top

Falcao faz muita falta, é verdade, a sua ausência ainda se nota em demasiadas fases do jogo, mas o FC Porto continua com argumentos para se impor na Europa do futebol. É o que apetece dizer sobre a vitória dos dragões na noite desta terça-feira em que se estreou na Liga dos Campeões 2011/12, perante um Shakhtar Donetsk que acabou rendido a Hulk, James Rodriguez e aos outros nove adversários de azul e branco.

O FC Porto venceu, a espaços largos convenceu, mas teve de fazer pela vida. O resultado de 2-1 denota que de fácil o jogo nada teve, muito por culpa do adversário – um Shakhtar com muita rodagem nestas andanças (ainda no ano passado 'espetou' três secos em Braga), orientado pela velha raposa Mircea Lucescu e com jogadores da categoria de Luiz Adriano, Eduardo e Willian.

Começou mais forte o FC Porto, como lhe competia. Hulk fez a bola esbarrar na barra, logo aos 4 minutos, e outros tantos volvidos James Rodriguez foi travado em falta dentro da área. Adivinhava-se o golo quando o Incrível correu para a bola, mas a concretização da grande penalidade esbarrou no poste direito da baliza de Rybka.

Aos 11 minutos, Helton decidiu pôr à prova a determinação e a capacidade de resposta dos seus colegas, quando deu um monumental frango – o termo tem de ser este – permitindo o golo a Luiz Adriano.

 

FC Porto oscila com o golo, mas Hulk... é Hulk

O golo fez mossa. O FC Porto oscilou. O Shakhtar defendia muito bem e dava mostras de poder fazer o segundo num qualquer lance de contra-ataque, o que poderia matar o jogo. Os comandados de Vítor Pereira retraíram-se, irritando o treinador, que se sentiu obrigado a puxar pela equipa.

Aos 25 minutos, o árbitro alemão Felix Brych anulou um golo ao Shakhtar e aumentou o número de unhas roídas no estádio e nos sofás dos adeptos portistas.

Mas o FC Porto tem Hulk, e Hulk é um dos poucos jogadores a nível mundial capazes de dar a volta a uma situação difícil como esta. Aos 27 minutos, na pior fase da equipa, marcou de forma brilhante um livre direto – cuja execução já teve oportunidade de explicar – e galvanizou os colegas.

Os remates começaram a aparecer, de perto e de longe. E João Moutinho e James Rodriguez, em especial o colombiano, começaram também a mostrar que são atletas fora de série. Os ucranianos, aturdidos, recuaram cada vez mais. O cartão vermelho direto mostrado a Rakitskiy, por entrada tresloucada sobre Moutinho (que lhe valeu uma reprimenda pública de Lucescu), deixou antever como seria a atitude dos visitantes a partir de então: tentar segurar o empate perante um FC Porto embalado.

 

... e James Rodriguez não lhe fica atrás

A segunda parte começou praticamente com o golo de Kléber. O mérito vai todo para a assistência de James Rodriguez, sem dúvida a jogada da noite. A continuar a evoluir assim, James será um craque do futebol mundial dentro de muito pouco tempo.

Pelo contrário, Kléber só se viu no golo – e mesmo aí só teve de encostar o pé – e numa decisão errada aos 66 minutos, quando poderia ter assistido Hulk para o 3-1. Manifestamente pouco.

A segunda parte teve pouca história. O FC Porto trocou a bola com qualidade após o golo, aqui e ali com requintes de tiki-taka catalã, rematou muito e nem sempre bem, enquanto o Shakhtar tentava o empate através de bolas paradas, incentivado pela latente tremideira de Maicon.

Vítor Pereira sentiu algum adormecimento e, muito bem, efetuou alterações ajustadas. Belluschi e Varela deram dinamismo ao jogo, nos lugares de Fernando e Hulk, e Djalma também se mexeu com qualidade, substituindo Kléber, seu antigo colega no Marítimo.

Até final ainda houve tempo para outra expulsão no Shakhtar.

Uma noite positiva para o FC Porto. Dar a volta a uma desvantagem perante o Shakhtar não é para todos.

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