À quinta viagem, FC Porto desliza na Rússia (crónica)

Zenit derrotou os dragões por 3-1, aproveitando a expulsão de Fucile ainda na primeira parte, que "a

O FC Porto chegou a São Petersburgo com o intuito de deixar desde já um "fosso" de seis pontos para aquele que, teoricamente, será o seu adversário direto na luta pelo primeiro lugar do Grupo G da Liga dos Campeões. Mas a noite não correu como o esperado.

A partida começou com pressão alta dos dois lados, num interessante 3x3 no meio campo: Fernando, Moutinho e Belluschi contra Shirokov, Zyryanov e Denisov.

Ritmo elevado, intenso - o predileto do Zenit - mas com Moutinho e Belluschi a iniciarem bem o jogo e a conseguirem desmarcações perigosas, sobretudo para James, que tentava criar perigo na frente.

Foi precisamente o extremo colombiano que inaugurar o marcador. Aos 10 minutos, num contra-ataque bem construído Belluschi fez um passe longo para Hulk que, do lado direito, temporizou, deixou um adversário para trás e colocou a bola ao segundo poste, onde apareceu James para encostar.

Os russos tentavam responder ao golo com o que melhor sabem fazer: jogadas rápidas, cruzamentos para a área, quase sempre do lado direito, mas o perigo não rondava a baliza de Helton.

No entanto, foi precisamente um cruzamento do lado direito que originou o empate. Zyryanov colocou a bola na área, Helton não teve a melhor abordagem na saída da baliza, aliviou para a frente e deixou a bola à mercê de Shirokov, que não desperdiçou, rematando forte para o 1-1, apesar da tentativa de desvio de Fucile.

O golo empolgou os homens de leste e logo no minuto seguinte Danny assistiu Kerzhakov, que rematou por cima, num dos vários desperdícios do avançado russo. Danny foi mesmo - mais uma vez - o principal "motor" do Zenit e ao minuto 24', numa das suas arrancadas pelo lado esquerdo, só foi travado com falta de Fucile, que viu o cartão amarelo, num momento que viria a ser importante no encontro.

Ficha do jogo:

Do outro lado, a segunda jogada de perigo portuguesa, entre vários ressaltos e insistência de João Moutinho e Alvaro Pereira, o uruguaio rematou forte e colocado para uma grande defesa de Malafeev.

Pouco antes da meia hora, o primeiro revés para o lado português: Kléber sofre uma falta e na queda lesiona-se no ombro esquerdo. Acabaria por ser substituído aos 32 minutos por Varela, passando Hulk para o centro.

O FC Porto continuava a fazer pressão através dos seus médios e avançados, mas algumas perdas de bola praticamente ofereciam construções perigosas ao Zenit. Foi o que aconteceu ao minuto 45', quando Rolando fez um mau passe e no contra-ataque Danny teve tempo e espaço para marcar, mas no remate a bola saiu muito perto do poste.

A partida começou a mudar na última jogada da primeira parte. Em nova jogada rápida dos russos após mais uma perda de bola de Hulk - que foi quase uma nulidade na primeira parte, excetuando a jogada do golo - Fucile travou o contra-ataque com o braço. O árbitro Howard Webb viu, mostrou o segundo cartão amarelo ao uruguaio e assim o FC Porto iria jogar todo o segundo tempo com dez elementos.

Uma adversidade que foi posteriormente analisada, em tom crítico, por Vítor Pereira e por Hulk, tendo sido uma falha que não deveria acontecer a este nível.

Um improvisado Fernando não chegou

Vítor Pereira estava quase obrigado a mexer no seu setor defensivo. Colocou Souza em campo, para o lugar de James, improvisando Fernando como o novo lateral direito da equipa. Faltavam 45 minutos e só havia uma substituição por fazer.

Na antiga Leninegrado, o Zenit entrou com um regime autoritário dentro do relvado, aproveitando o (mal conseguido) reajustamento da turma portuguesa. Kerzhakov, por duas vezes em dois minutos, esteve perto do golo: na primeira oportunidade atirou ao poste, na segunda Helton reagiu bem e na recarga o russo rematou por cima. Souza não estava tão agressivo como Fernando e Fernando não parecia adaptado ao lado direito da defesa.

As perdas de bola por parte do FC Porto acumulavam-se, o que concedia muito espaço ao Zenit. Kerzhakov e Danny não aproveitaram boas oportunidades para marcar e, ao minuto 59', Kerzhakov acabou mesmo por introduzir a bola nas redes contrárias, mas a jogada foi anulada por fora de jogo que, analisando as repetições televisivas, dá a ideia de ter sido mal assinalado.

A reviravolta russa haveria por surgir aos 62 minutos: livre de Faizulin do lado esquerdo, Otamendi deu espaço a mais a Shirokov, que fez uma boa receção e rematou forte para o 2-1.

Hulk era visto mais vezes no chão do que a criar jogadas produtivas e continuava a passar ao lado do jogo e, pouco apoiado, o seu único companheiro mais ofensivo, Varela, não fez melhor. No entanto, o brasileiro teve oportunidade de brilhar dois minutos depois do golo do Zenit, quando num livre de muito longe atirou a bola ligeiramente ao lado da baliza de Malafeev.

Quem marcou novamente foi o Zenit, aos 71 minutos. Mau passe de Souza, Kerzhakov passou por Otamendi, colocou a bola na área e, após um desvio, esta foi de encontro a Danny, que ao segundo poste estabeleceu o 3-1 final.

Nos minutos seguintes poderia ter surgido o quarto e até mesmo o quinto golos. Mas mais uma vez a eficácia russa não foi das melhores, primeiro por Shirokov e depois por Danny, ambos remataram por cima.

Fernando ainda tentou reduzir, num remate de longe que Malafeev agarrou e, já nos descontos, novamente de livre (e só de livre), Hulk voltou a aparecer, mas o guardião russo sacudiu o remate muito potente do brasileiro.

A festa do 118.º aniversário do FC Porto não se estendeu ao relvado, que perdeu pela primeira vez na Rússia. E, se o Shakthar derrotar mais logo o Apoel, todas as equipas vão terminar a segunda jornada com três pontos cada.

Ao FC Porto convém vencer os dois próximos encontros, ambos com o Apoel...

Notícias: Liga dos Campeões