FC Porto vs Sp. Braga: o orgulho de Portugal

FC Porto e Sp. Braga elevam Portugal a um patamar mais alto em Dublin. Numa altura de crise para os

Dublin, 18 de Maio de 2011, 19h45. Aviva Stadium, Dublin Arena para a UEFA. Villas-Boas “prometeu” lá estar. Domingos Paciência tanto sonhou que lá chegou. Depois de duas campanhas europeias recheadas de momentos para contar aos netos – desde o “hat-trick” de Lima que tirou o Sevilha da Liga dos Campeões ao “poker” de Falcao ao Villarreal – chega a hora do embate final, que trará a Liga Europa para o Norte português.

Recordemos, pois, o percurso dos finalistas. O campeão nacional ostenta orgulhosamente o melhor ataque, com 36 golos, e o melhor marcador, Falcao, com uma média superior a um golo por jogo. Com um trajeto feito inteiramente na Liga Europa, os azuis e brancos foram vencedores do Grupo L, venceram na neve de Viena, ganharam por duas vezes num sintético no frio moscovita, frente ao CSKA e ao Spartak locais, e ainda deixaram para trás duas equipas espanholas de topo – o Sevilha e o Villarreal.

Os bracarenses, quartos classificados na Liga, começaram mais cedo, eliminando o Celtic e o Sevilha nas pré-eliminatórias, contra todas as expectativas, e estreando-se na fase de grupos da Champions, onde foram o melhor terceiro. Na Liga Europa, de forma épica, eliminaram Lech Poznan, o todo-poderoso Liverpool, o Dínamo de Kiev (responsável pela queda do Manchester City) e o Benfica.

Ora, se a chegada dos de Villas-Boas ao jogo mais desejado da prova nem por isso surpreende, a do Braga ninguém esperava, principalmente depois da derrota na primeira mão das meias-finais. Um sinal da capacidade de superação de uma equipa que renasceu a meio da época, e que, segundo o seu presidente, já demonstrou ser “capaz de ultrapassar grandes barreiras”. Sem esquecer, no entanto, o favoritismo dos portistas, com outros pergaminhos europeus.

O treinador mais jovem ou o primeiro a derrotar a ex-equipa

Ganhe quem ganhar, é garantido que se fará história. Apenas por oito vezes foi possível assistir a finais europeias entre equipas do mesmo país. Para Portugal, esta é a primeira. Ora, se ganhar o FC Porto, André Villas-Boas, para além de dar mais um passo no sentido de repetir a histórica época de 2002/2003 (de cuja equipa técnica ele próprio fazia parte), será também o mais jovem técnico a levantar a pesada taça. Caso contrário, Domingos será o primeiro treinador a derrotar numa final a equipa onde fez carreira como jogador.

A final no Dublin Arena, que marca a despedida de Artur, Rodriguez e ainda de Domingos do Sp. Braga, está ainda recheada de curiosidades. Os quatro repetentes da final de 2005, entre Sporting e CSKA de Moscovo, por exemplo. João Moutinho, recuperado de lesão, está entre as opções de Villas-Boas, o mesmo acontecendo com os bracarenses Hugo Viana, Miguel Garcia e Custódio. Ou o facto de nunca uma final ter acontecido entre adversários geograficamente tão próximos – são apenas 47 os quilómetros que separam Braga do Porto.

Menção obrigatória para a primeira presença em 100 anos de um monarca britânico na capital irlandesa – a rainha Isabel II chegou hoje a Dublin –, o que vai interferir, principalmente, com a livre circulação dos adeptos.

E por falar em adeptos, o FC Porto vai estar em larga maioria no Dublin Arena, uma vez que os 12 mil bilhetes esgotaram após uma louca correria às bilheteiras. O Braga, por seu turno, reservou apenas 4 mil dos mesmos 12 mil a que tinha direito. O que não significa que estejam em minoria. Por cá, os adeptos dos rivais do novo campeão nacional torcem pelas cores dos “guerreiros do Minho” e, pelos vistos, na Irlanda também: a história do pequeno que derrota o grande cativa os nativos.

Ao ponto de terem criado, na Associação de Futebol da Irlanda, uma iniciativa que oferece cerca de 2500 bilhetes àqueles que quiserem tornar a bancada minhota mais composta.

Com ou sem irlandeses nas bancadas, venha daí uma das maiores vitórias de sempre do futebol português!

Acompanhe os artigos do Relvado no Facebook e no Twitter.

Notícias: Liga Europa