Marítimo-FC Porto: e ninguém lhes ganhou… (CRÓNICA)

O FC Porto é o segundo campeão nacional a conquistar uma Liga sem derrotas. O recorde mais desejado

Não foi preciso muito. Bastou um FC Porto q.b., de queda para golos com nota artística, para garantir o último objetivo da época na Liga Zon Sagres. Jimmy Hagan tem agora a companhia de André Villas-Boas na muito restrita lista de treinadores capazes de liderar a equipa a um campeonato sem derrotas.

O brilhante pecúlio de um dos técnicos mais jovens da história do futebol português foi conseguido com mais uma vitória, a 27ª… em 30 jornadas, frente a um Marítimo que se resigna ao nono lugar. Foi também o 39.º jogo seguido a marcar para a turma azul e branca, o que também constitui um recorde.

E há ainda a registar uma das maiores pontuações de sempre – a maior em campeonatos de 30 jornadas –, a maior vantagem de sempre sobre o segundo classificado – 21 pontos, e um feito com 35 anos – são dragões os dois melhores marcadores da Liga.

Para o derradeiro desafio no campeonato, Villas-Boas manteve Beto, Rúben Micael, Souza e James, segundas escolhas que têm tido mais minutos nesta reta final, e ainda Walter, que aproveitou, uma vez mais, para reforçar a conta goleadora com uma eficácia impressionante – fez apenas um remate.

E porque Dublin está à porta, a 27.ª vitória portista fez-se sem Hulk e com Falcao no banco. Em abono da verdade, não fizeram falta, até porque também o Marítimo tinha pouco a discutir: se os dragões ainda perseguiam recordes para abrilhantar a época, aos insulares a subida ao oitavo posto valia apenas uma entrada tardia na Taça da Liga em 2011/2012.

 

Devagar, devagarinho…

E assim se jogou, num jogo típico de final de época, com ritmo baixo, pouca velocidade, sem intensidade. Entrou melhor a equipa da casa, aproveitando a desconcentração de Álvaro Pereira e Otamendi, que deixaram Kléber surgir nas redondezas da área de Beto com perigo. Mas oportunidades, nem vê-las.

Acertadas as marcações e assentados os mais distraídos, foi tempo de brilhar Guarín, hoje o patrão do meio-campo portista. Grande visão de jogo aos 20’, com um passe a rasgar toda a defesa insular e a encontrar Varela no coração da área. O que o extremo, no limite do fora-de-jogo, fez com a bola não foi menos estético: remate em arco ao poste mais distante, com o pé esquerdo.

Dez minutos volvidos, mudaram os protagonistas, ficou a arte. Do lado esquerdo, James fez um daqueles seus passes teleguiados, para Walter. A cabeçada do brasileiro, ao poste mais distante, era imparável.

Até ao intervalo, o Marítimo teve mais bola, mas a Baba e Djalma faltava acutilância, e à irreverência e talento de Kléber faltava eficácia.

 

Dizer adeus à Liga a pensar em Dublin

No segundo tempo, a supremacia foi do Marítimo, graças à mudança tática operada por Pedro Martins, que recuou Djalma para o meio-campo, organizando a equipa em 4x4x2. Com o reforço portista para a próxima temporada muito mais em jogo, os madeirenses, mais pressionantes, voltaram a contar com falhas graves de Otamendi e estiveram bem mais perto do golo. Perante a passividade da defesa portista, recorrente nos últimos encontros, Baba apenas falhou perante Beto, por três vezes.

Com dois golos de vantagem e a invencibilidade nas mãos, os azuis e brancos pensavam em Dublin: primeiro saiu Sapunaru, depois Guarín, para dar ritmo a Sereno e, sobretudo, a Belluschi. Era altura de controlar o ímpeto maritimista e gerir o jogo. Sem grande brilho, sem grande ritmo, mas, uma vez mais, com os três pontos.

Ponto final na época do campeão, num ano para não mais esquecer. Segue-se a final da Liga Europa!

As figuras
Ficha do jogo