A mercearia do Adelino Caldeira

Fica mal ao FC Porto o papel de virgem ofendida. Ter uma mercearia não é um negócio desprestigiante.

Ao contrário do que disse Bruno de Carvalho quando venceu as eleições, isto não é tudo nosso. E está muito longe de o ser. Aliás, muito pelo contrário, isto é tudo deles. E é assim já algum tempo. O território é deles. O futebol português é um campo minado pelo FC Porto, e se alguém se atrever a pisar a mina ela é capaz de explodir, causando danos irreversíveis. Bruno de Carvalho atreveu-se. Pisou a mina e ela explodiu. Mas os tais danos irreversíveis que falei ainda não vieram ao de cima.

Fruta. É disso que se trata. O FC Porto é um ninho de mafiosos que amua sempre que se fala de frutas. Afinal não é tão difícil chatear o FC Porto, nem os seus dirigentes. Não deixa de ser estranho, uma vez que se há clube em Portugal que é dado a frutas é precisamente o Futebol Clube de Porto. Tiveram lá uma Pereira que tanta pêra deu ao Jorge Jesus, e tiveram ainda uma maçã podre. E não gosta o FC Porto que se fale de fruta? Cá para mim, o senhor Adelino Caldeira é ele próprio um frutinhas. Fica mal ao FC Porto o papel de virgem ofendida. Ter uma mercearia não é de todo um negócio desprestigiante. O futebol português acasalou-se com corrupção e deu a luz ao FC Porto. O filho querido da impunidade. Todos os outros são filhos bastardos.

Corte de relação - Eu não pertenço ao clube de fãs de Bruno de Carvalho. Não pertenço ao grupo de zebras com cio que aplaude tudo que faz, ou diz o novo presidente do Sporting. A minha vida é feita de pequenas conquistas, e uma delas é conseguir aguentar uma ereção. Portanto, não me posso dar ao luxo de excitar-me com tudo o que faz Bruno de Carvalho. Aliás, é tão fácil ser-se presidente com um álibi como Godinho Lopes. Bruno de Carvalho tem essa vantagem. Para os sportinguistas Godinho Lopes é tão vermelho quanto o diabo, e basta Deus ser o Bruno de Carvalho para seguirmos a seita. Os sportinguistas por norma entusiasmam-se facilmente. Entusiasmaram com Bettencourt (lembro que venceu as eleições com 92%), entusiasmaram-se com Domingos Paciência, Sá Pinto, etc. A história ensinou-me que o entusiasmo precoce dá sempre mau resultado. Mas eles insistem.

Tudo isto para dizer algo que já foi dito por muita gente. Este “corte de relação institucional” vale zero. É bonito para os adeptos verem. Serve para dar mais uns açoites na antiga direção, dando a entender que eram subservientes ao FC Porto. E pouco mais. O Sporting tem de demarcar-se do FC Porto, como de todos os outros clubes, é na “vida real”, não é no papel com comunicados. Isso vale pouco. Além de que o futebol português hoje em dia não vive de relações institucionais, portanto não consigo perceber até que ponto este “corte” pode causar algum efeito, ou alguma mossa.

Ideias a reter deste texto: o Senhor Adelino Caldeiras é um frutinhas que não gosta de frutas. Se o Sporting cortou relações com o FC Porto, o que será dos sque festejam vitórias do FC Porto, quando o seu clube fica a meio da tabela?