Crónica: E também li o livro de Pinto da Costa...

Eu estava à espera de encontrar um livro que fosse uma resposta à letra a Carolina Salgado e ao "seu" livro "Eu, Carolina". Puro engano! "Luzes e Sombras de um Dragão" é apenas um retrato intimista do presidente portista e que, numa linguagem coloquial e muito ao estilo de Aquilino (e do próprio Pinto da Costa), utiliza 4/5 do livro em "louvaminhas" ao dragão-mor.Esta biografia ("não-oficial, mas autorizada") de um burguês de Cedofeita com uma paixão doentia pelo FC Porto, teria sido um livro interessante se terminasse um pouco antes do fim. Teríamos então uma biografia sobre um menino de boas famílias que deixa tudo por um clube de futebol. O pior é que 4/5 do livro parece ter como fim único a lavagem da imagem que é deixada transparecer na parte final, onde é aflorado o lodo e a podridão do mundo do futebol.Destaques do livro:- Muito bem escrito! Desconheço qual a verdadeira escritora do livro, mas o estilo é bonito e a escrita eficaz e simples. Muito bom!- A construção é boa e as fotos incluídas são muito a propósito embora talvez com um excessozinho de reproduções de cartas.- Aquilo que tanto foi criticado no livro de Carolina Salgado (acusações avulsas e não fundamentadas) acontecem também aqui e com uma agravante: é feito em discurso indirecto enquanto Carolina o fez na 1ª pessoa.- Para os apaixonados pelo futebol fica sempre o testemunho real das amizades de infância de Pinto da Costa e que o acompanharam sempre na subida a pulso no mundo do futebol, afinal, compagnons de route até nos processos judiciais. Saber, por exemplo, que Pinto de Sousa andou no colégio com ele era algo que só se sabia nos bastidores. Interessante!- Lamentável é também o facto de todos os seus amigos e conhecidos aparentarem sempre uma predisposição muito grande para lavarem a imagem de Pinto da Costa com o recurso "ao seu amor profundo ao clube". Justifica tudo, até as traições.- A fama de que não dá ponto sem nó e que está sempre atento a todos os pormenores fica patente na forma como afasta um dos homens da sua equipa directiva porque o grupo empresarial a que pertencia (Cofina) não travou de forma eficaz algumas denúncias públicas dos órgãos de comunicação que lhe pertenciam.A imagem final que me ficou é que o livro tem duas mensagens subliminares: aos portistas ele justifica os seus actos por amor ao clube e aos adversários avisa que não mede meios para atingir fins. Patente fica também a forma como cativa as pessoas que com ele lidam de perto, por oposição aos ódios que gera aos adeptos dos clubes adversários.O livro peca por não ser obra de especial interesse biográfico, embora de relevante significado no estudo dos comportamentos sociais.Catota

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