A arbitragem de Xistra no Sp.Braga-Benfica

O lance de que resultou o começo da reviravolta no marcador (golo de Hugo Viana) foi mal avaliado

A arbitragem continua nas bocas do Mundo e vai continuar a andar enquanto senhores como Michel Platini, ex-futebolista -- e de eleição -- continuarem a querer usar e abusar das suas influências. Não faz nenhum sentido, nos dias que correm, que os árbitros no futebol tenham o poder que têm. O poder de ditar as vitórias e as derrotas. O poder de definir os campeões. Coisas do sistema. Ou do Xistrema?

 Ponto prévio: o Sp. Braga fez um belo jogo, organizou-se mental e fisicamente para dar uma grande resposta frente ao campeão nacional e, por isso, merece que o seu desempenho seja elogiado.

Ponto um: o Benfica não se apresentou na ‘máxima força’ (Sálvio de fora e Gaitán, no banco, a contas com problemas físicos), vem jogando ‘nos limites’ na perseguição ao FC Porto, com um futebol muito exigente a todos os níveis, e, por isso, evidenciou, em Braga, algumas fragilidades, que Felipe Menezes e Carlos Martins, por exemplo, não conseguiram compensar.

Não escamoteando estas realidades há que dizer o seguinte, no lance de que resultou o começo da reviravolta no marcador (golo de Hugo Viana):

  1. Há uma entrada dura e intempestiva de Alan sobre Javi García, à qual o espanhol do Benfica respondeu, atingindo Alan no peito.
  2. O árbitro Carlos Xistra não considerou a falta (primeira) de Alan e olhou apenas para a atitude (condenável) de Javi García. Neste detalhe, subverteu as regras do jogo.
  3. O livre seria a favor do Benfica (e não a favor do Sp. Braga), Alan deveria ter visto ‘amarelo’ e Javi García, pela agressão, como aliás aconteceu, cartão vermelho.
  4. Como é possível atestar através da Lei 12, a ‘imprudência’ deve ser sancionada com advertência (cartão amarelo). Isso não aconteceu com Alan. As entradas ‘com força excessiva’ devem ser punidas com expulsão. O que não faz sentido é que a entrada de Alan não tenha sido sancionada nem técnica nem disciplinarmente.
  5. Javi García, com a mão esquerda, atingiu o peito de Alan, numa acção deliberada, que lhe valeu -- e bem -- a exclusão do jogo.
  6. Alan, depois de ser atingido, amplificou a acção do seu adversário, queixando-se de uma agressão numa zona não atingida (pescoço), o que também deveria ser observado e considerado pelo árbitro.
  7. De um erro grave de apreciação da equipa de arbitragem, o Sp. Braga chegou à igualdade (com a ajuda de um desconcertante Roberto).

 Em síntese: o árbitro quando entra em campo não pode fazê-lo sob o princípio da relativização. Isto é: todos percebemos que não é fácil atender a todas as situações de jogo. Mas não há nenhuma lei para desculpabilizar os erros dos árbitros.


Por isso, defendo a introdução de outros meios auxiliares, como os meios tecnológicos, porque, a partir deles, é possível ajudar os árbitros a produzirem melhores decisões.

 

Carlos  Xistra faz parte de um sistema que ninguém ousa contraditar. Todos querem ganhar, mas ninguém parece interessado em ir ao fundo do problema: maior transparência nas nomeações e nas classificações dos árbitros; introdução de meios tecnológicos para conferir mais verdade ao jogo.

 

Xistra foi nomeado por Vítor Pereira, depois de ter sido classificado com nota negativa no recente Nacional-Sporting. Houve árbitros internacionais que pediram escusa para o jogo de Braga (pressentiram o ambiente que iria ser criado?!...) e o nomeador achou que poderia passar por cima do princípio de que um jogo de grande importância não deve ser dirigido por um árbitro classificado, nas vésperas, com uma nota negativa.


É a mais total subversão -- e assim o futebol (português) não vai a lado nenhum.

Veja aqui outro artigo de Rui Santos sobre o Sp. Braga-Benfica: