Benfica 'castigado' frente ao FC Porto e... Chelsea

O Benfica viu o terceiro golo do FC Porto validado por incompetência do árbitro assistente. Reagi

Estão os árbitros dispostos a perder algum do poder que têm?

O futebol, em vez de se abrir, fecha-se.

O futebol em vez de se modernizar, mantém os seus vícios antigos.

A arbitragem tem um problema: está fora dos novos tempos.

Os ‘novos tempos’, que são os de hoje, confrontam-se com a questão da regulação das instituições.

Estamos todos a pagar aquilo que, no passado, não foi feito neste domínio.

A arbitragem, no futebol, conservará o seu problema maior enquanto não se disponibilizar a beneficiar de mais e melhores meios de auxílio. Regulação, pois.

O futebol de hoje é o futebol que se vê nos Estádios mas é, principalmente, o futebol que se vê através das televisões.

O futebol só quer o dinheiro das televisões. Torce o nariz quando as televisões podem ter um papel crucial na regulação, isto é, no apoio que podem dar aos árbitros, na defesa da verdade desportiva.

É fácil despejar em cima dos árbitros todo o tipo de ódios, frustrações e irresponsabilidade(s). Mas os árbitros também têm um papel a representar: não podem querer ser, simultaneamente, ‘vedetas da bola’ e ‘guardiões protegidos’. E, acima de tudo, a sua credibilidade deve ser avaliada pela competência e coerência.

Premiados quando os desempenhos são bons. Castigados quando os desempenhos são maus. A questão é que o sistema de avaliação está inquinado.

Não estão acima da lei. Não estão acima da crítica. Neste futebol conservador e desregulado, serão sempre as maiores vítimas. Ou alinham com este ‘sistema’ ou fazem alguma coisa para que as regras se alterem. E este é o ponto: este ‘sistema’ proporciona muitas regalias. Através das Federações e Ligas, mas também e sobretudo através da UEFA. Alguém está disposto a defender a ‘verdade desportiva’, perdendo os privilégios?...

Os favorecimentos continuam. Enquanto os relatórios dos árbitros e dos observadores não forem públicos, assim como as notas atribuídas, continuamos a não entender a relação entre a avaliação e a promoção.

Ninguém entende as promoções dos árbitros a internacionais. E, neste plano, o prestígio de Vítor Pereira nos areópagos europeus não tem sido utilizado da melhor forma.

Acontece demasiadas vezes os árbitros internacionais terem maus desempenhos nas nossas competições e serem premiados com nomeações da UEFA. É óbvio que o sentido de justiça fica desde logo comprometido -- e Vítor Pereira tem contribuído muito para isso...

Os árbitros também seriam mais respeitados se eles próprios fizessem alguma coisa no sentido de fazer perceber que, nas sociedades modernas, não faz sentido o futebol conservar algumas das suas leis dos primórdios do século passado. Ou os árbitros, no fundo, também se sentem bem com o poder que lhes é concedido? É que, na realidade, os árbitros têm um poder único no futebol -- e provavelmente não o querem perder.

Esse ‘poder absoluto’ não faz sentido nos dias que correm.

Um erro importante de arbitragem pode ter concorrido para que o Benfica seja eliminado da ‘Champions’. Alguém se insurgiu contra isso, com a violência com que alguns dos mesmos intérpretes utilizam quando os erros são cometidos nas provas nacionais?

Agora só faltava mesmo, para alimentar um pouco mais a opacidade e a falta de transparência, manterem as nomeações ‘fechadas’. Algo mais para satisfazer o nomeador.

Desconfio que, feitas as contas, entre dirigentes, treinadores e árbitros, poucos estejam efectivamente interessados na... mudança de regime. Estarei enganado?

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