Clamoroso erro do Sporting na construção do plantel

Não é preciso ser um génio para se perceber que o Sporting necessitaria de ter olhado para o eixo

Na última campanha eleitoral do Sporting muitos prometeram e ninguém pediu tempo.

Havia tempo para tudo: mudar as pessoas, alterar as dinâmicas de funcionamento, comprar e dispensar jogadores, potenciar a visão do novo treinador, construir uma equipa ganhadora e ‘atacar’, sem reservas, o título nacional.

Dir-se-á que a procissão ainda vai no adro. Dir-se-á que o Sporting ainda tem todo um campeonato para recuperar. Dir-se-á que os novos jogadores chegados a Alvalade vão, a partir de agora, mostrar todas as suas capacidades. 

A verdade, porém, é que o Sporting -- depois de tantos falhanços em matéria de aquisições -- necessitava de dar a imagem de que, neste ponto, nada continuaria como no passado recente.

Não é essa a convicção que se está a formar e pode dizer-se, desde já, que houve um clamoroso erro na construção do plantel, com responsabilidades que devem ser repartidas por todos: presidente, administração e treinadores - e aqueles que entram no processo de aprovação das dispensas e aquisições. Refiro-me à forma como (não) se olhou para as debilidades individuais e colectivas que se acham, particularmente, no sector defensivo.

O Sporting tinha exibido nas últimas épocas grandes fragilidades na defesa. O Sporting não tem um extraordinário ‘central’ há muitos anos. Quem não percebe que uma equipa sem uma excelente dupla de ‘centrais’ não pode voar muito alto, deve dedicar-se a outra coisa que não construir planteis de futebol. Surpreende, por isso, que nem a SAD nem o treinador dos ‘leões’, Domingos Paciência, tenham observado e valorizado essa evidência.

É aceitável que, em 9 épocas de ‘leão’ ao peito, Anderson Polga, na Liga, não tenha conseguido um único golo?

Mais: é razoável que o Sporting seja uma equipa muito fraca a defender, sobretudo no jogo aéreo? ‘Centrais’ desposicionados, com fraco poder de impulsão e laterais pouco ou nada familiarizados com a missão de defender. É isto normal? Não me parece.

Os responsáveis do Sporting entenderam que a contratação de Onyewu iria ser suficiente para melhorar o desempenho da defesa. Onyewu entrou mal, neste momento não faz parte das contas de Domingos para a titularidade e a defesa é igual à do ano passado, sem tirar nem pôr. Os mesmos nomes e a mesma falta de eficácia. Rodríguez não estabelece grandes diferenças.

Não seria necessário reclamar grandes conhecimentos de futebol para entender que, entre as prioridades na construção do plantel do Sporting, o sector defensivo tinha de merecer uma atenção especial. Não o fazer significa, no mínimo, uma imperdoável distracção.

Dir-se-á, em contraponto, que o Sporting, para além de Onyewu, para o eixo central da defesa, contratou o colombiano Santiago Arias e o francês Atilla Turan, ambos com 19 anos, para as faixas laterais.

Jogadores tão jovens ou são verdadeiros achados e entram na equipa ou são ’activos’ prometedores e, nesse contexto, a sua valorização é para ser efectuada ao longo da duração dos respectivos contratos e não imediatamente.

Acresce que, depois de ter contratado Turan, o Sporting percebeu que tinha de arranjar uma melhor alternativa a Evaldo e contratou Insúa, por 5 anos.

Quer dizer: o Sporting nalguns casos contratou primeiro e viu depois. Deve ser ao contrário. E até, no plano clínico, utilizou essa perigosa estratégia.

Não tenho dúvidas de que Rinaudo, Schaars e Jeffren, principalmente, são bons jogadores. Não tenho dúvidas também da categoria de Rui Patrício, Izmailov e André Santos. João Pereira tem de fazer mais, como já fez. Não tenho dúvidas de que estes jogadores, integrados num bom espírito de grupo, numa boa dinâmica de trabalho e sobretudo numa liderança indiscutível, iriam destacar-se. É pouco? É o que é! E ainda parece menos quando o Sporting está longe de resolver um problema ainda mais assustador: falta de liderança. Falta de liderança na área directiva e na área técnica. E, neste particular, não é pouca; é muita... com as consequência que daí podem advir.

Perder 7 pontos em 3 jogos, com um calendário acessível, não é bom sinal. Mesmo com os erros de arbitragem... Quem não assegurou que a apresentação do Sporting frente ao Valência não fosse mais do que um 'jogo de exibição' (sem resultado combinado, como é óbvio!!!) também não percebe em que mundo é que anda... Muito amadorismo, portanto... E fraca assessoria...

(Rui Santos escreve de acordo com a grafia do português pré-acordo ortográfico)