Futebol português só perde com 'guerra' FC Porto-Benfica

 

Desportivismo

Caro Rui Santos, que impacto poderá ter a excelente dem

 

Caro Manuel Albino,

O clima de grande desportivismo que marcou a final da Liga Europa entre o FC Porto e o Sp. Braga, em Dublin, pode ser considerado o modelo a seguir no futebol português.

A competição deve ser essencialmente dentro do campo: capaz, leal, agressiva (no bom sentido), envolvente.

As equipas podem jogar melhor ou pior, mas devem sempre tentar 'dar tudo', respeitando as mais elementares regras do bom-senso e do fair-play.

A indústria do futebol em Portugal tem potencialidades inexploradas.

Há um lado muito positivo nessa indústria (competências várias), mas um lado também muito negativo. E esse tem a ver, fundamentalmente, com o fraco contributo dos dirigentes desportivos. Gostam de disputar o protagonismo com jogadores e treinadores. E quase sempre não estão preparados. Não protegem a indústria. Não têm preocupações 'globais'; gerem apenas o seu quintal.

Se conseguíssemos importar parte do espírito que envolve o futebol inglês -- paixão pelo jogo, dentro e fora das quatro linhas -- seríamos um verdadeiro 'caso de estudo' do futebol mundial.

Precisaríamos de dirigentes com visão 'macro' do futebol e não com uma visão restritiva e provinciana.

É preciso procurar novos caminhos, outra forma de estar. O modelo de dirigente-eucalipto, que seca tudo à volta, está esgotado. As lideranças podem ser fortes, mas assentes na verdade. Temos um futebol em que as competências se perdem nos esquemas, nas jogadas sub-reptícias e até na falta de educação.

A final da Liga Europa pôde projectar esse espírito positivo -- em contramão com a realidade -- porque defrontaram-se dois clubes amigos presididos por dirigentes amigos. 

A amizade não tem de ser amiga da subserviência. E, no desporto, mesma que não haja amizade, deve prevalecer o respeito.

O nosso futebol não tem ganho nada -- absolutamente nada -- com o clima de crescente tensão que se instalou entre representativas 'franjas' do FC Porto e Benfica. É preciso baixar essa tensão. Urgentemente. 

Temos o 'melhor treinador do Mundo', o 'melhor jogador do Mundo' e o 'melhor empresário do Mundo', curiosamente elos de ligação de uma mesma forma de ver o futebol. Não temos nem 'o melhor dirigente do Mundo' nem 'o melhor árbitro do Mundo'. Porque será?

(Rui Santos escreve de acordo com a grafia do português pré-acordo ortográfico)

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