Futre e a pantomima

O 'melhor momento' da campanha eleitoral do Sporting foi a afirmação da genuinidade. Com Futre.

Conheço Futre desde os tempos em que ele apareceu a jogar na ‘Onda Verde’. Era um menino franzino, cheio de talento.

Gabei-lhe muito as qualidades no final da década de setenta, começo dos anos 80.

Saiba também o que Rui Santos pensa de Godinho Lopes:

O futebol português maravilhava-se com o futebol de Fernando Chalana e estava a aparecer o seu sucessor. Havia, nas diferenças, alguma similitude entre ambos.

Futre estava pronto para o Euro-84, em França, mas as boas soluções da Selecção Nacional a esse tempo (com Chalana em grande!) não lhe tiraram o lugar na Selecção de Juniores que, sob o comando de José Augusto, realizava, um mês antes, em Leninegrado e Moscovo, o respectivo ‘Europeu’ da categoria.

Era um miúdo de uma grande franqueza, que nunca havia de perder.

Agora, depois de ter sido adoptado pelo ‘país vizinho’, deixou-se embarcar no sonho lançado por Dias Ferreira.

O sonho é uma terra arável, mas, se se pode agir, porquê sonhar?

A memória é como uma caixa de cartão. Às vezes não serve para nada. Outras vezes serve para metermos dentro dela coisas às quais só damos uso em determinados momentos. É a caixa da memória selectiva que também serve para trair os sonhos.

A intervenção que Paulo Futre teve em defesa da sua ‘dama’ (chinesa) tornou-se num ‘hit’ internético. É um momento que provoca boa disposição. Importa dizer que é um momento de rara genuinidade. Futre (ou Futle?) é mesmo assim. Quem o conhece, sabe que nada daquilo foi construído ou pré-fabricado. Apenas umas notas para não se perder e depois (para ele) o ‘momento solene’. Para alguns de uma ‘representação’ notável no âmbito de um sketch. Puro engano. 

O ‘Paulinho’ deve ter ficado muito decepcionado ao perceber que aquele seu momento, tão vivido intensamente, foi interpretado como uma pantomima.

Resta dizer que, por detrás do conjunto cénico, a ideia é boa: a exploração do mercado asiático. Com um pouco menos de euforia.