Não resistir a ‘entrar no circo’

Não fiquei convencido com as explicações do ‘vice’ do Benfic

Todas as agressões são condenáveis, para mais no âmbito de um suposto ‘delito de opinião’ em que o ‘julgador’ é confundido com a instituição FC Porto e essa condenação tem de ser feita, à luz daquilo que são os mais elementares direitos e deveres de conduta de um País que se quer realmente democrático.

Também por isso, o ‘vice’ dos ‘encarnados’ (ex-governante) tinha todas as condições para sair bem desta história, num plano de intocável autoridade moral. Só tinha que:

  1. Apresentar queixa às autoridades, independentemente do grau de eficácia que uma atitudes dessas poderia acarretar.
  2. Dar nota aos órgãos de Comunicação Social -- em geral e não selectivamente -- o que entendia dever relatar sobre um acontecimento lamentável perante o qual se afirmou como vítima.

Em vez disso, o dirigente do Benfica preferiu hesitar em relação ao timing da queixa (apresentá-la-à?) e guardar a notícia para um jornal diário desportivo, aquele que é conhecido como a voz (não assumidamente) oficial da ‘nomenclatura benfiquista’.

Esperava que este ponto fosse esclarecido, mas não foi. Porquê?

Fica pois a sensação de que o incidente não resistiu nem ao aproveitamento mediático específico nem aos contornos de uma rivalidade doentia e insustentável (no plano da violência verbal e física em que se tem inscrito nos últimos tempos) entre FC Porto e Benfica, e vice-versa.

Duas notas ainda:

  1. No meio de tanto ruído, o silêncio de Luís Filipe Vieira, aparentemente estratégico; não sendo preenchidos, há mínimos (nas palavras) que podem suscitar dúvidas.
  2. É a segunda vez que o discurso de André Villas-Boas não coincide com o do seu presidente: agora, condenando a alegada agressão ao ‘vice’ do Benfica; antes, quando tentou valorizar a Taça da Liga, ao contrário do que tem feito Pinto da Costa.

Resta aguardar, mais uma vez, num exercício porventura marcado por uma certa ingenuidade, que os responsáveis tirem as devidas ilações de mais um episódio pouco dignificante para todas os protagonistas e o futebol possa abandonar os seus tiques de inaceitável primitivismo.

O futebol tem de caminhar no sentido da paz, da tolerância e do espectáculo e não como um ‘Estado’ (desregulado) em permanente guerrilha, no qual as pessoas se transformam em bichos e exteriorizam as suas frustrações e instintos mais primários.

Há muitos adeptos e sócios do FC Porto e do Benfica que não querem ser confundidos com arruaceiros e são esses que se têm de tornar activos para isolar... os outros.