Ora Bola(s)!

Trabalhei durante 26 anos no jornal ‘A Bola’ e não confundo

A primeira página de 'A Bola' da passada segunda-feira é um atentado ao bom-senso.

Já estou acostumado às manchetes sem notícia.

Já não me surpreendem as capas cheias de nada.

Já não me causa nenhum tipo de espanto a óbvia discriminação entre aqueles que têm entrada directa nas páginas e os que não têm.

Já não me espantam as 'notícias' plantadas. A propaganda e a promoção fácil.

Durante décadas, 'A Bola' deu notícias na primeira página. E promoveu a meritocracia. Não apenas no futebol.

Quando na segunda-feira leio, em manchete, 'FC Porto não precisava deste árbitro para ser campeão por mérito' e 'Xistra decide o que estava decidido', pensei: de facto, a minha 'Bola' não é esta. A minha 'Bola' morreu com a morte ou o com o 'homicídio profissional' daquela extraordinária equipa de jornalistas. Quando se fazem capas com 'artigos de opinião' (sem rosto) está tudo dito.

Era muito mais honesto assumir-se: acreditamos que os adeptos do Benfica são, em maioria, os compradores do jornal. Acreditamos que é neles que temos de depositar toda a atenção, por causa das 'vendas líquidas'. Acreditamos que este é o melhor mercado. Mesmo colocando em causa os princípios mais nobres do jornalismo e dos nossos fundadores.