De que são capazes Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa?

O exemplo de vida de Artur Agostinho proíbe-me de afirmar qu

Não me revejo neste futebol de esquemas, atropelos, vaidades, intrigas e mentiras.

Não me revejo neste futebol de violências várias.

Não me revejo neste futebol que faz apelo ao combate no terreno entre facções clubísticas.

Não me revejo neste futebol de baixo nível.

Não me revejo neste futebol desregulado e impune.

Não me revejo neste futebol em que se quer ganhar a qualquer preço.

Acredito no futebol como um espectáculo para as famílias, que possa ser consumido com alegria e em paz. Com respeito pela diferença suscitada pela história dos emblemas.

Acredito nas lideranças responsáveis e honestas.

Acredito no valor acrescentado do talento e da capacidade dos jogadores e treinadores.

Acredito que o futebol deve ser jogado dentro do campo.

Acredito que só há uma via para se ter êxito dentro do campo: com trabalho.

Acredito que é vital denunciar todas as práticas que conduzam à adulteração de resultados.

Todas as formas de violência devem ser condenadas.

Já percebemos que, no papel de vítimas -- reais e virtuais -- estiveram figuras de diversos clubes.

Morreu um adepto do Sporting no Jamor -- um assunto que foi tratado com grande leveza e leviandade, quer no momento em que essa morte ocorreu, quer nos tempos que se lhe seguiram. Não vale a pena recordar o comportamento da FPF neste triste episódio.

Não vale a pena, também, colocar na balança o que pesa mais: se os distúrbios provocados pelos adeptos e claques do FC Porto; se os que foram causados por adeptos e claques afectos ao Benfica.

É uma discussão que não vale a pena suscitar, porque não leva a nada.

Vital e urgente: acabar com este ódio.

É preciso acabar com as bolas de golfe e com as emboscadas nas auto-estradas. Se for necessário, que se fechem as portas dos Estádios, em nome da segurança das pessoas.

Luís Filipe Vieira saiu mais ou menos ileso, mas o que se passou na A41 poderia ter redundado em consequências bem mais graves e trágicas.

É preciso fazer perceber aos delinquentes que, embora pareça, ainda não estamos sob a influência do ‘Estado vegetativo’. É imperativo agir (mesmo assolados por crises várias) sob pena do próximo Benfica-FC Porto descambar numa ‘guerra’ sem quartel.

As forças policiais devem ser chamadas a responder perante um caso de aparente negligência. Como é que um viaduto, num lugar tão exposto, não está vigiado?

Mais uma vez, a culpa vai morrer solteira?

Não há ninguém nestes processos que possa esfregar as mãos de contentamento. E, se houver, estamos perante casos de grave e preocupante patologia. Que é preciso tratar.

Quero acreditar que, em Portugal, é possível ter um futebol com gente respeitável. Mas, para isso, têm de ser os adeptos e sócios do FC Porto e Benfica a não aceitar que (outros) sócios e adeptos dos respectivos clubes manchem a sua dignidade e a credibilidade das instituições que representam.

É uma batalha que deve ser começada ‘dentro do FC Porto’ e ‘dentro do Benfica’. Erradicar os fautores de violência.

Parece-me que isso é possível com Luís Filipe Vieira (“Não pode valer tudo. Aqueles que acham que sim, estão a matar o futebol. É gente demasiado cobarde, sem coragem de dar a cara, e demasiado orgulhosa para condenar qualquer tipo de violência. Só desejo que os benfiquistas mostrem que somos diferentes”). Será isso possível com Pinto da Costa? Se é, que o demonstre.

E leia a homenagem de Rui Santos a Artur Agostinho: