Sporting foi o grande prejudicado da jornada inaugural

A arbitragem de Alvalade foi um dos aspectos negativos da jornada inaugural da Liga 2011-12. É as

Começou mal a Liga 2011-12.

Desde logo com a jornada inaugural a acabar à segunda-feira, sem que nada o justifique, com a realização do U. Leiria-Académica.

Um jogo na Marinha Grande, a acabar às 22 horas, a quem interessa, a não ser a Joaquim Oliveira?

Por causa de uma migalhas, os clubes médios continuam a capitular. A indústria do futebol, na sua globalidade, vai ficando mais fraca, por causa de interesses muito bem localizados.

Os clubes adiam sentar-se à mesa para reivindicar um bolo maior resultante dos direitos televisivos. Puseram-se de cócoras durante muitos anos, viram dinheiro fácil entrar nas  tesourarias, antecipadamente, e fragilizaram as suas posições. Os clubes pequenos e médios esperaram sempre por uma posição concertada dos clubes grandes e estes, de costas voltadas, nunca se constituíram, neste plano, como uma força poderosa. Não olharam para o interesse colectivo; olharam para o umbigo -- e, volvidos anos e anos sob a tutela do mais puro egoísmo, a única coisa que parece ter mudado foi o posicionamento do Benfica, reivindicando um maior quinhão.

Esta questão dos horários dos jogos e da sua calendarização deveria suscitar amplo debate.

Infelizmente, a nossa Liga não é atractiva ao ponto de conseguir vender os jogos (televisionados) para o mercado asiático. É pena, porque isso iria obrigar à realização dos jogos mais cedo. Seja como for, não seria difícil realizar a maioria dos jogos ao fim-de-semana, a partir das 14 horas. Jogos à noite, preferencialmente, ao sábado. Contudo, nesta matéria, os adeptos, os potenciais consumidores do futebol in loco, têm a última palavra. E é exactamente por não se ter cuidado de os ouvir que muitos já abandonaram o hábito de se deslocarem aos estádios.

Se os jogos são realizados a horas impróprias; se os bilhetes são caros; se a qualidade e os golos não imperam, não se esperem milagres.

Vejamos, em resumo, os factos reservados pela 1.ª jornada, em aspectos muito importantes:

                                     ASSISTÊNCIA           GOLOS         

BARCELOS                    12 008                           4

VILA DO CONDE              3 322                           0

ALVALADE                     33 248                           2

GUIMARÃES                  19 812                           1

SETÚBAL                         2 925                          3

AVEIRO                              700                           0

FUNCHAL                         3 631                          0

MARINHA GRANDE           2 126                          3

              

                      Total        77 772                        13

                              (Média: 9 722)

 

Por outro lado, não faz nenhum sentido uma Liga com um sorteio condicionado nas primeiras jornadas. Porquê e para quê? Quem lucra com isso? Por que razão o sorteio não é livre?

Entre sexta e segunda, só houve duas equipas vitoriosas na 1.ª jornada (V. Setúbal e FC Porto) e outras tantas derrotadas (Paços de Ferreira e V. Guimarães), o que significa que cinco jogos acabaram empatados, três dos quais em branco.

Pouca emoção, pouco espectáculo.

A promessa de... ‘mais do mesmo’.

Sessenta por cento de utilização de jogadores estrangeiros nos ‘onzes’ iniciais. Equipas com mais jogadores portugueses: V. Setúbal, Rio Ave e Beira-Mar. Nenhuma perdeu. Equipas com menos jogadores portugueses: Benfica, Nacional e Marítimo. Nenhuma ganhou.

A FPF e a Liga têm obrigação de olhar para esta realidade. Por este andar, se nada for feito, o futebol português mergulhará numa profunda crise dentro de três a cinco anos.

A Liga 2011-12 também começou mal, não apenas pela escassez de golos e da falta de qualidade futebolística, mas também pela polémica em redor da arbitragem de Alvalade. Entre os jogos televisionados, sobre os quais é possível realizar alguma avaliação nesta matéria, o Sporting foi o grande prejudicado da jornada.

Não é só com erros próprios que se perdem Campeonatos. É também com erros (graves) de arbitragem. Dos árbitros ou dos árbitros-assistentes, que deveriam ter outros meios auxiliares para produzirem melhores decisões.

Um penálti não assinalado e um lance mal anulado em que Postiga chegou a colocar a bola na baliza do Olhanense. Para além da entrada ‘a matar’ de Jeffren, neste caso em prejuízo dos algarvios... Significa que, com boas decisões, o jogo teria sido outro e, provavelmente, o desfecho também...

Bastaria existir a figura do vídeo-árbitro para corrigir, em tempo útil, erros que mancham a verdade desportiva.

Alguém quer saber da credibilidade do futebol?...

É o grande 'nó górdio' do futebol contemporâneo: como é que três ou quatro homens (da arbitragem) podem ter uma influência colossal numa indústria de milhões?

Quanto à decisão de Olegário Benquerença em assinalar penálti no lance do qual resultou o único golo do jogo de Guimarães, vamos estar atentos à forma como o juiz internacional vai decidir em situações similares.  Se a lei 12 é para seguir com rigor, então é para que isso aconteça em todos os estádios e com todas as equipas. Para ver equidade e... um campeonato que não seja uma farsa.

(Rui Santos escreve de acordo com a grafia do português pré-acordo ortográfico)