O "xeque-mate" de Mourinho

Um treinador como José Mourinho quando é contratado por um clube como o Real Madrid só pode ter u

José Mourinho acaba de registar, agora, com efeito, a 'maior vitória da época'. Uma vitória ‘não desportiva’. Forçou até ao limite a saída de Jorge Valdano do Real e concretizou o seu desiderato. Foi mexendo nas ‘pedras’ do ‘xadrez’ até à jogada do ‘xeque-mate’.

Valdano partia com a vantagem de ter sido, até agora, uma espécie de ‘símbolo do madridismo’. A história e a ligação aos protagonistas não foram suficientes. A determinado momento, parecia ter ganho terreno, considerando a ‘ausência’ de resultados e a crescente superioridade do Barcelona.

Aí esteve, contudo, a base da jogada decisiva: a forma como José Mourinho ‘atacou’ o rival, fora das quatro linhas. Mourinho conseguiu criar a ideia de que as vitórias do Barcelona são sustentadas no seu maior poder junto das instâncias nacionais e internacionais. Com isso, colocou os adeptos do seu lado.

Deu a ideia de que é preciso ganhar essa batalha. Exigir tratamento igual para todos.

Mourinho esteve numa posição difícil, de quase ruptura, mas jogou tudo e acabou por ganhar.

Considerando a sua competência, a capacidade de liderança e o historial de sucesso nas segundas épocas, Florentino Pérez decidiu a favor de Mourinho. Dá-lhe agora todas as condições internas para se concentrar, exclusivamente, no combate externo. No combate à hegemonia do Barcelona.

A responsabilidade cresce, mas -- ao dominar a estrutura por dentro -- José Mourinho tem mais possibilidades de levar o Real Madrid ao lugar mais alto do pódio futebolístico. Há que contar, no entanto, com a força do Barcelona. Em todos os aspectos.

(Rui Santos escreve de acordo com a grafia do português pré-acordo ortográfico)

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