Artur Jorge : será que o futebol não precisa dele?

Depois de uma carreira de jogador que começou no FC Porto e passou pela Académica para atingir o seu maior brilho no Benfica, Artur Jorge tornou-se treinador de futebol e foi o FC Porto a reconhecer-lhe a categoria e a apostar nele quando ainda nem tinha treinado qualquer clube uma época inteira. Aposta vencida com dois títulos nacionais e o de campeão da Europa em Viena, a 27 de Maio de 1987.Grande personalidade e capacidade de comando, visão táctica e um conhecimento profundo do futebol jogado tornaram-no num técnico de top e depois dessas vitórias foi para Paris para o Racing Matra de onde saiu por falência económica do projecto. Regressou ao Porto para ser novamente campeão e para terminar dois anos com uma relação difícil com Pinto da Costa. De volta a França e a Paris foi campeão com o PSG (onde ninguém o tinha sido) e fez boas campanhas na Europa, levando o clube da capital aos seus melhores resultados de sempre!Mas dois períodos marcam a sua vida no futebol: um deles foi a passagem pelo cargo de seleccionador. Coube-lhe o apuramento para o Mundial de 98 em França num Grupo em que entrava a Alemanha. E quando, numa exibição brilhante, vencia os alemães em casa destes, resultado essencial para as nossas cores, a mais aberrante expulsão de um jogador (Rui Costa), protagonizada pelo árbitro francês Marc Batta, deu a possibilidade aos alemães de empatarem e a qualificação foi perdida! Pior foi o episódio com Sá Pinto que, de cabeça perdida e "aquecido" por algum "amigo", o foi agredir ao estágio da Selecção! Um caso ímpar, mas que virou os sportinguistas para sempre contra Artur Jorge que mais não fez que apanhar!O outro período é ainda mais conhecido e, sobretudo, mais "mal contado"! O Benfica sempre fora um sonho do Rei Artur. Quando surgiu o convite não hesitou. Tinha sido a bandeira eleitoral de Manuel Damásio e foi substituir Toni, o que causou algum mal-estar. Mas o Benfica estava num período bem difícil!Depois da saída de Jorge de Brito com todo o dinheiro que tinha metido no Benfica (e do que tinha perdido no caso D.Branca), o clube da Luz estava descapitalizado. Não havia dinheiro e os dirigentes da época foram vendendo os jogadores que poderiam assegurar um bom encaixe! Saíram quase todos os protagonistas da equipa que tinha ganho o campeonato com Toni e nada havia para os substituir. Artur Jorge não quis também ficar com Vítor Paneira que moveu uma guerra sem tréguas, o que terá sido aproveitado, sobretudo pelos dirigentes, para lançar o ónus da perda de muitos jogadores sobre o técnico. Ainda que este tenha já encontrado o plantel desfeito! As compras foram muitas e más! Mas de acordo com o dinheiro (in)disponível ao tempo!Os resultados foram maus e Artur Jorge, vítima de doença grave, acabou por sair com a temporada em meio. Mas ficou a história que convinha a muita gente, nomeadamente aos dirigentes, de que tinha sido ele a destruir a formação. Mais tarde surgiram até ridículas teorias da conspiração a dizer que Pinto da Costa era o responsável por tudo e Artur Jorge não voltou a ter trabalho em Portugal. Mas será que o nosso futebol não deve ter um lugar que possa aproveitar todos os seus conhecimentos?dragao13