Portugal falhou com a praia à vista (crónica)

Equipa das quinas salvou-se de afogamento, mas não conseguiu dar o passo final na Dinamarca. No enta

Portugal perdeu por 2-1 na Dinamarca e vai ter de disputar o "play-off" de acesso à fase final do Campeonato da Europa. Os jogos estão marcados para 11 ou 12 de novembro e 15 do mesmo mês. O sorteio é esta quinta-feira, em Cracóvia (Polónia). Montenegro, Irlanda, Estónia e Bósnia (países presentes no ´play-off' que não são cabeças de série) são os possíveis adversários.

O resultado foi justíssimo e a Holanda, que costuma ser tão nossa amiga (ganhamos quase sempre, tanto a nível de clubes como de seleção) desta vez não nos ajudou, ao perder com a Suécia. Por isso, Portugal não foi o melhor segundo...

O início do jogo da nossa seleção foi simplesmente horrível. Os dinamarqueses chegavam sempre primeiro às bolas, imprimiam uma agressividade incomparavelmente superior e criavam perigo junto da baliza de Rui Patrício. O primeiro aviso foi dado aos 4 minutos. A bola chegou a entrar, mas o árbitro anulou o golo, considerando que houve falta sobre o guarda-redes luso.

Portugal parece não ter levado muito a sério este lance e tudo continuou na mesma. Os dinamarqueses devem ter pensado "eles estão a dormir, vamos aproveitar" e aos 13 minutos marcaram, por Khron-Dehli. Um golo merecidíssimo. A bola ainda embateu em Rolando, entrando muito junto ao poste, sem hipóteses para Rui Patrício.

A equipa das quinas não se encontrou até à meia hora. O flanco direito era um autêntico "passador", com João Pereira muito mal, impotente para travar os opositores, até porque não tinha apoio dos seus colegas. Mas o pior era mesmo o centro da defesa, com Rolando a repetir a exibição confrangedora que fez com a Islândia. Pepe faz mesmo muita falta, ou não fosse um dos melhores centrais do mundo (isto para já não falar em Ricardo Carvalho). Rolando é apenas um bom jogador, isto se estiver nos seus dias...

E Portugal revelava uma incapacidade gritante nos lances de bola parada. Cada canto era um "ai Jesus" para a nossa baliza...

Aos 28', Rolando esteve tão desastrado no ataque como na defesa, acertando na bola com...a canela, quando tinha tudo para fazer o 1-1. Foi a primeira oportunidade de golo da nossa equipa. Esse lance parece ter despertado os jogadores portugueses. Até ao intervalo, Cristiano Ronaldo e Nani estiveram perto do empate e viu-se finalmente uma equipa a dar um ar da sua graça, insuficiente no entanto para não qualificar estes 45 minutos como a pior parte do consulado de Paulo Bento como treinador da nossa seleção.

 

 

Impotência total

Mas o pior, por incrível que pareça, ainda estava para vir! No segundo tempo, Portugal voltou a entrar muito mal no jogo. E uma "assistência" de João Pereira em plena área lusa só não deu golo porque o seu adversário não esperaria oferta tão generosa.

Carlos Martins esteve quase a chegar ao empate aos 56' e esse foi o "canto do cisne" da nossa equipa. Com mais de 35' por jogar! Bentdner fez o 2-0 aos 63', depois de uma jogada em que a defesa portuguesa foi batida pelo lado esquerdo.

Portugal não reagiu. Ronaldo tentava fazer tudo sozinho, Nani nem se via, Moutinho, Meireles e Moutinho não "pegavam" no jogo  e Postiga estava numa daquelas noites em que nada lhe saia bem. Paulo Bento olhava para o banco e, suprema ironia, teve de lançar Quaresma, que raramente convocou, Miguel Veloso, que nunca foi um indiscutível na seleção e... Nuno Gomes, que apesar de tudo continua a ser das melhores opções para ponta-de-lança (Hugo Almeida está lesionado).

Até ao final do jogo a humilhação só não foi maior porque Rui Patrício fez três defesas assombrosas. O golão de Ronaldo aos 92', de livre direto, nem fez renascer a esperança...

É verdade que o azar parece ter batido à porta da seleção nos últimos tempos. Foram as lesões de Coentrão, Pepe e Hugo Almeida, os casos Ricardo Carvalho e Danny... Mas nesta altura, independentemente da nossa presença ou ausência na fase final do Euro, é melhor encarar a realidade com realismo: desde 2000, o auge da nossa geração de ouro, quando Figo e Rui Costa estavam no topo da carreira e ainda havia Vítor Baía, Fernando Couto, Jorge Costa, João Vieira Pinto, Pauleta, Nuno Gomes, Sérgio Conceição, Sá Pinto, etc, etc, a qualidade da seleção tem diminuído a pouco e pouco.

E com a invasão de jogadores estrangeiros (até nas camadas jovens!) é cada vez mais difícil a afirmação dos nossos jovens. Quantos dos vice-campeões portugueses no último Mundial de sub-20 são titulares no nosso campeonato? Pois, apenas um (Cédric, emprestado pelo Sporting à Académica). Estaremos a caminhar para o abismo?