Vítor Pereira: uma questão de humildade

Uma equipa que, desde o início de época, praticava um futebol muito abaixo do exigível para o seu es

Lembro-me bem de que, no primeiro artigo que eu escrevi para este site, o tema central era a minha incompreensão em relação ao facto de Pinto da Costa, após o mercado de Janeiro, ter decidido manter Vítor Pereira como treinador da equipa principal do Futebol Clube do Porto. A minha equipa praticava, na altura, um futebol de reduzida qualidade, um futebol praticamente inconsequente do ponto de vista ofensivo e finalizador, assim como o rendimento da equipa nas mais diversas competições, quer nacionais, quer internacionais, era baixíssimo, culminando em humilhantes eliminações da Taça de Portugal, Liga dos Campeões e Liga Europa.

Contudo, meses depois desse meu artigo, e ainda na época 2011/2012, a realidade do Futebol Clube do Porto mudou consideravelmente; uma equipa que, desde o início de época, praticava um futebol muito abaixo do exigível para o seu estatuto, começou a evidenciar outro nível futebolístico e outra maturidade em campo, mudanças que resultaram numa alteração da tabela classificativa e na conquista de um campeonato que, para alguns, estaria perdido. Ainda assim, mesmo no final de uma época em que o meu clube se tinha sagrado campeão, eu continuava a não estar convencido de que Vítor Pereira era o treinador indicado para a minha equipa.

Hoje, a minha opinião é a de que, de facto, Vítor Pereira não estava à altura do clube que orientava. Na altura. Todavia, presentemente, talvez assim já não o seja. O futebol de excelente qualidade que o Futebol Clube do Porto pratica atualmente, o rigor tático que o FC Porto apresenta em campo, inclusivamente nos jogos mais exigentes, a gestão meticulosa do plantel a que assistimos nos dias de hoje no FC Porto e o nítido estudo dos adversários e da sua forma de jogar a que esta equipa técnica procede, nitidamente, pela forma como o Porto anula os mecanismos desses mesmos adversários levou-me à seguinte conclusão: Vítor Pereira não era um treinador à altura do FC Porto, mas o seu carácter tornou-o um treinador que consegue fazer o clube do Norte cumprir com os objetivos que lhe são exigidos pelos adeptos e direção.

Vítor Pereira soube corrigir, sem vergonha ou arrogância, os erros do passado. Soube voltar atrás onde errou, reconhecer o erro e retificá-lo, abandonando escolhas táticas que se demonstraram ineficazes ou inconsequentes, não continuando a colocar determinados jogadores em certas posições ou sequer em campo, entre outros fatores. A humildade de Vítor Pereira, fazendo com que este não hesitasse em não insistir em métodos e opções que ele achava corretas e adequadas, mas que a prática demonstrou que não o eram, fez com que Vítor Pereira se tornasse, hoje, um treinador competente e que confere aos adeptos pouco ou nada pelo que contestar.

O atual treinador do FCP é um exemplo de que como a experiência e a prática, combinadas com a capacidade de se fazer uma crítica objetiva ao próprio trabalho, podem resultar em mudanças profundas na maneira de estar e agir de um profissional. Para melhor, muito melhor.